terça-feira, 28 de setembro de 2010

As Manchas Solares

Se pudesse ver uma mancha solar por meio dum telescópio especial, veria uma mancha escura na superfície do sol. Mas, só parece escura porque não é tão brilhante nem tão quente como a superfície normal do sol, sendo cerca de 2.000° C. “mais fria”. Este “resfriamento” é produzido pela expansão dos gases que constituem a mancha solar. Assim, parece escura somente em contraste com as cercanias muito mais quentes.

Uma mancha solar normal parece uma área central escura (chamada de “umbra”) cercada por uma área de sombra mais leve (chamada “penumbra”.) Parece-se muito com uma cavidade na superfície do sol. Partindo de pequeno início, o tamanho da área escura varia de poucas centenas de quilômetros em diâmetro nas manchas menores até cerca de 130.000 quilômetros ou mais de diâmetro na maior delas. E o tamanho de uma área mais clara é mais ou menos o dobro ou o triplo da área escura. A vida média de uma mancha solar é de uma ou duas semanas.

Talvez a melhor forma de se descrever as manchas solares seja assemelhá-las a tempestades que experimentamos na atmosfera de nosso lar, a terra. Assim como um furacão ou um tornado é uma massa rodopiante de nuvens, uma mancha solar, ou tempestade solar, é uma massa de gases rodopiantes e turbulentos carregados de eletricidade.

Os estudos relacionados ao número de manchas solares que apareceram no decorrer dos anos indicam que têm um ciclo de cerca de onze anos. Neste respeito, 1964 e 1965 foram designados anos do “sol calmo”, períodos de pouca atividade de manchas solares. Espera-se, contudo, que a atividade das manchas solares atinja um auge por volta de 1970. No entanto, outros, que usam o campo magnético do sol e suas variações como base para medições, afirmam que o ciclo atual de manchas solares tem cerca de vinte e dois anos, e apontam para aquele mesmo ano como o auge das atividades de manchas solares.

O Sol

O sol é uma resplandecente bola de gases quentes. É uma estrela de tamanho médio que tem um diâmetro de cerca de 1.400.000 quilômetros, mais de 100 vezes que o da terra. O sol, estando localizado a cerca de 152.000.000 de quilômetros de distância, um foguete que viaje a pouco mais de 40.000 quilômetros por hora levará cerca de 155 dias para atingi-lo, partindo da terra. Todavia, o sol se acha relativamente próximo, pois a seguinte estrela mais próxima, chamada “Próxima Centauri” acha-se tão distante que o mesmo foguete levaria quase 115.000 anos para chegar até lá!

O sol é a principal fonte de energia da terra. E a quantidade que produz é fantástica! Pode ser comparada a um fluxo de cerca de 84.000 cavalos-vapor continuamente para cada metro quadrado de sua superfície. A energia que vem em direção da terra em apenas um dia, diz-se, iguala a energia que poderia ser produzida por se queimar 550 bilhões de toneladas de carvão. Esse é tanto carvão quanto os Estados-Unidos ou a Rússia produziriam em cerca de 1.000 anos, segundo sua presente taxa de produção.

O único processo até agora conhecido pelo homem que pode gerar tão tremenda energia é a fusão nuclear. Assim, realmente, o sol é uma imensa fornalha atômica. Produz a energia por fundir os átomos de hidrogênio, o elemento mais leve conhecido, em hélio, o elemento mais leve logo em seguida. Quando quatro átomos de hidrogênio se unem, ou se fundem, constituem um átomo de hélio. Mas, no processo, cerca de 1 por cento do hidrogênio se transforma em calor e em luz. É algo parecido a se meter à força uma cavilha quadrada em um buraco redondo — alguns de seus cantos são aparados.

Calcula-se que, a cada segundo, mais de 500 trilhões de toneladas de hidrogênio são fundidas dessa forma. E, diz-se que, de cada quilo de hidrogênio “queimado”, são liberadas 200.000.000 kilowatts-hora. Todavia, não há perigo do reator atômico do sol se esgotar em breve, visto que usa apenas a menor fração do seu total.

Esta reação nuclear dentro do sol produz temperaturas calculadas como sendo até de 20.000.000° Centígrados. Por meio de radiação, esta energia flui para fora da superfície do sol, onde a temperatura “esfria-se” a cerca de 6.000° C. E, se achar que isto deve ser um tanto frio, lembre-se que se é preciso apenas 100° C. para ferver água na terra ao nível do mar!

Neste processo, rodopiantes colunas de gases saem do interior do sol e abrem caminho para a superfície, onde a pressão é menor. Este processo resulta no nascimento de manchas solares.

Como as manchas solares influem sobre o lar do homem

“AS MANCHAS SOLARES IMPÕEM CORTE RADIOFÔNICO”, declarava a manchete no Times de Nova Iorque. A notícia que se seguia afirmava:

“Um corte mundial de comunicações provocado pelas manchas solares cortou ontem os Estados Unidos da maioria das áreas na Europa e no Extremo Oriente. Os encarregados das comunicações descreveram os distúrbios atmosféricos como sendo ‘os piores que temos tido nos anos recentes’.”

Talvez tenha visto notícias similares de vez em quando, falando das interrupções das comunicações radiofônicas internacionais. Os sinais de ondas curtas de rádio se tornam tão fracos que não podem ser transmitidos de forma eficaz. Tais distúrbios, e outros, são o resultado direto das manchas solares.

As manchas solares são intensas tempestades na face do sol. Causam erupções que lançam gigantescas massas de matéria bem longe no espaço. Mas, o que provoca as manchas solares? Que aparência têm? O que produzem? Que efeitos têm sobre o lar do homem, a terra?

Para encontrar as respostas a estas perguntas, precisamos primeiro examinar mais de perto o ponto de sua origem, o sol.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Deus, projeto e as constantes da física

Quais são algumas dessas constantes fundamentais da física essenciais à vida no Universo? Um artigo no jornal The Orange County Register, de 8 de janeiro de 1995, alistou algumas dessas constantes. Frisou a fina sintonização que tem de existir entre esses componentes, declarando: “Os valores quantitativos de muitas constantes físicas básicas que definem o Universo — por exemplo, a carga de um elétron, a velocidade fixa da luz ou o coeficiente de energia de forças fundamentais na natureza — são espetacularmente precisos, alguns até a 120 casas decimais. O desenvolvimento de um Universo que gera vida é extremamente sensível a essas especificações. A menor variação — um nanosegundo aqui, um angstrom ali — e o Universo pode muito bem morrer e ficar estéril.”

Daí, o autor do artigo disse algo que não é comum dizer: “Parece mais razoável presumir que alguma misteriosa propensão se esconde dentro do processo, talvez na ação de um poder inteligente e proposital que ajustou com precisão o Universo em preparação da nossa chegada.”

George Greenstein, professor de Astronomia e Cosmologia, forneceu uma lista mais longa dessas constantes físicas em seu livro The Symbiotic Universe. Na alistagem figuram constantes tão bem ajustadas que, se estivessem desajustadas no mais ínfimo grau, nenhum átomo, nenhuma estrela, nenhum universo jamais poderia existir. Detalhes dessas relações estão alistados no quadro acompanhante. É preciso que existam para que a vida física seja possível. São complexos, e talvez nem todos os leitores os entendam, mas são reconhecidos, além de muitos outros, pelos astrofísicos versados nesses assuntos.

À medida que essa lista aumentava, Greenstein se espantava. Ele disse: “Quantas coincidências! Quanto mais eu leio, tanto mais me convenço de que tais ‘coincidências’ de forma alguma poderiam ter acontecido por acaso. Mas, à medida que essa convicção aumentava, aumentava também algo mais. Mesmo agora é difícil expressar esse ‘algo mais’ em palavras. Foi uma convulsão intensa e, por vezes, quase de natureza física. Eu literalmente me contorcia devido ao desconforto . . . É possível que, subitamente, sem intenção, tenhamos nos deparado com a prova científica da existência de um Ser Supremo? Foi Deus quem interveio e, assim, providencialmente, esquematizou o cosmos para o nosso benefício?”

Atormentado e horrorizado com essa idéia, Greenstein logo se retratou, reassumiu a sua ortodoxia religiosa-científica, e proclamou: “Deus não é uma explicação.” Deus não é razão válida — a idéia de que Deus existe lhe era tão impalatável que ele não conseguia engoli-la!

O que falta: a disposição de encarar fatos impalatáveis

A maioria dos cientistas — e isso inclui a maioria dos cosmólogos — endossa a teoria da evolução. Eles acham impalatáveis quaisquer palavras que atribuam à inteligência e ao objetivo um papel na criação, e se arrepiam diante da simples menção de Deus como Criador. Recusam-se até mesmo a considerar tal heresia. O Salmo 10:4 fala com desmérito da pessoa altiva que “não faz nenhuma pesquisa; todas as suas idéias são: ‘Não há Deus.’” A sua deidade criativa é o Acaso. Mas, à medida que o conhecimento aumenta e a teoria do acaso e da coincidência desmorona sob o crescente peso da evidência, os cientistas recorrem cada vez mais às hipóteses ‘proibidas’ — as de que existe inteligência e projeto no Universo. Veja estes exemplos:

“Evidentemente tem faltado um componente nos estudos cosmológicos. A origem do Universo, assim como a solução do cubo de Rubik, requer uma inteligência”, escreveu o astrofísico Fred Hoyle em seu livro The Intelligent Universe, na página 189.

“Quanto mais eu examino o Universo e estudo os pormenores de sua arquitetura, tanto mais evidência encontro de que o Universo, em certo sentido, deve ter sabido que nós estávamos chegando.” — Disturbing the Universe, de Freeman Dyson, página 250.

“Que particularidades do Universo eram essenciais para o surgimento de criaturas como nós, e será por coincidência, ou por alguma razão mais profunda, que o nosso Universo tem tais particularidades? . . . Existe algum plano mais profundo que garante que o Universo seja feito sob medida para a humanidade?” — Cosmic Coincidences, de John Gribbin e Martin Rees, páginas xiv, 4.

Fred Hoyle também comenta a respeito dessas propriedades na página 220 de seu já mencionado livro: “Tais propriedades parecem fazer parte do tecido do mundo natural, como um fio de felizes acidentes. Mas existem tantas dessas estranhas coincidências, essenciais à vida, que parece ser necessária alguma explicação para justificá-las.”

“O caso não é que apenas o homem seja adaptado ao Universo. O Universo é adaptado ao homem. Imagine um Universo em que uma ou outra das fundamentais constantes da física, não dimensionáveis, sofra de alguma maneira uma pequena porcentagem de alteração. O homem jamais poderia vir a existir nesse Universo. Esse é o ponto central do princípio antrópico. Segundo esse princípio, um fator vitalizador jaz no centro do inteiro mecanismo e projeto do mundo.” — The Anthropic Cosmological Principle, de John Barrow e Frank Tipler, página vii.

O Espantoso Universo ‘Está faltando algo’: o quê?

DEPOIS de mirar as estrelas num límpido céu noturno, entramos em casa extasiados, com a mente fervilhando com tanta beleza e profusão de perguntas. Por que existe o Universo? De onde se originou? Qual é o seu destino? São perguntas que muitos tentam responder.

Depois de cinco anos de pesquisas em cosmologia, que o levou a conferências científicas e centros de pesquisa em todo o globo, o redator de ciências Dennis Overbye falou de uma conversa que teve com o mundialmente famoso físico Stephen Hawking: “No fim, o que eu queria saber de Hawking é o que eu sempre quis saber de Hawking: para onde vamos ao morrer?”

Apesar do tom irônico, essas palavras revelam muito a respeito da nossa era. As indagações não são tanto a respeito das próprias estrelas ou das teorias e conceitos conflitantes dos cosmólogos que as estudam. As pessoas ainda anseiam respostas a perguntas básicas que perseguem a humanidade há milênios: por que existimos? Existe Deus? Para onde vamos ao morrer? Onde estão as respostas a essas perguntas? Encontram-se nas estrelas?

Outro redator de ciências, John Boslough, disse que, com o abandono da religião por parte das pessoas, os cientistas, tais como os cosmólogos, tornaram-se “o sacerdócio perfeito para uma era secularizada. Eles, não os líderes religiosos, seriam os que agora revelariam todos os segredos do Universo, ponto por ponto, não em forma de epifania espiritual, mas em forma de equações obscuras para todos, menos para os ungidos [os cientistas]”. Mas revelarão eles todos os segredos do Universo e responderão a todas as perguntas que por eras acossam a humanidade?

O que estão os cosmólogos revelando agora? A maioria defende alguma versão da “teologia” da “grande explosão”, que se tornou a religião secular do nosso tempo, embora discutam detalhes. “Todavia”, observou Boslough, “no contexto de novas e contraditórias observações, a teoria da ‘grande explosão’ começa a parecer cada vez mais uma descrição excessivamente simplista na busca de uma explicação para a criação. Em princípios dos anos 90, a teoria da ‘grande explosão’ tornou-se . . . cada vez mais incapaz de responder às perguntas mais básicas”. Ele acrescentou que “não poucos teóricos emitem a opinião de que não durará nem até o fim dos anos 90”.

Talvez algumas das conjecturas atuais da cosmologia revelem ser corretas, talvez não — assim como talvez realmente existam planetas coalescendo, ou se fundindo, no brilho espectral da nebulosa de Órion, talvez não. O fato inegável é que ninguém na Terra sabe isso ao certo. As teorias são muitas, mas os observadores sinceros endossam a observação arguta de Margaret Geller, de que apesar de todo o palavreado, parece estar faltando algo fundamental no entendimento atual do cosmos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Sol Tremulante

O Dr. Bernard Durney, um dos diretores de pesquisas, ofereceu-se gentilmente a responder a algumas perguntas sobre o sol. Ele explicou que está trabalhando no campo da sismologia solar. Precisávamos de uma explicação do que isso significava. Parece que o primeiro lugar em que isso foi estudado foi aqui, no Pico de Sacramento. Explicou: “O sol não só gira em torno de seu eixo, mas move-se de muitas outras formas, que podem ser estudadas por se enfocar constantemente sua superfície e ver as mudanças que ocorrem. À base de tais mudanças, podemos formular idéias sobre o que pode estar ocorrendo no interior do sol, e então planejar estudos para confirmar ou refutar nossas idéias.”

“Por volta de 1970”, prosseguiu, “predisse-se uma tremulação, ou abalo, do sol. É bem parecido à tremulação, ou vibração, que ocorre quando se dobra um grande sino. A pessoa também pode pensar na ilustração de uma pedrinha jogada num pequeno lago, e como isso faz com que a inteira superfície do pequeno lago seja afetada, à medida que as ondinhas cruzam o lago a partir do ponto de impacto. A diferença é que as ondas solares percorrem o sol em todas as direções.”

Parecia que tais vibrações se originavam em diferentes níveis, algumas abaixo da superfície e outras de partes mais profundas do sol. Graças a tais estudos, sabe-se que o sol se expande ligeiramente e então se contrai de novo, cerca de uma vez por hora, como se estivesse respirando. Um pesquisador observou pela primeira vez tais movimentos do sol em 1975. Em 1976, cientistas russos também informaram ter observado a elevação e o rebaixamento da superfície do sol. Não foi senão em 1979-80 que tal vibração foi confirmada, em parte no Observatório do Pico de Sacramento.

“Na realidade”, prosseguiu o Dr. Durney, “o sol apresenta muitos movimentos incomuns. Visto que tudo no sol é gasoso, partes da superfície do sol podem girar mais rápido do que outras. . . Por enfocar continuamente o sol, como fazemos aqui no observatório de Sunspot, podemos determinar como está girando o interior do sol. . . . Visto que o sol gira mais rápido no seu equador, muitas misturas ocorrem na superfície, e isto provoca muitos fenômenos estranhos. Este movimento incomum cria campos magnéticos bem nas profundezas do sol, que flutuam para a superfície. As manchas solares são uma manifestação destes campos magnéticos.”

Cúpula de Celeiro

Ao voltarmos para nosso carro, passamos por um prédio incomum que, para nós, se parecia com um silo redondo. E era isso exatamente que ele era! É chamado de Cúpula de Celeiro e foi adquirido da “Sears Roebuck and Company” nos primeiros dias do observatório; foi modificado para abrigar o primeiro telescópio de Sunspot. Naquele tempo, planejavam-se as viagens espaciais, e havia necessidade de informações sobre como o sol influía na atmosfera da Terra, especialmente ao criar distúrbios que poderiam ser causados pela atividade solar incomum.

Mais tarde, em 1957, montou-se uma organização não-lucrativa, a AURA (sigla, em inglês, da Associação de Universidades Para Pesquisas Astronômicas, Inc.) em relação com o Observatório Nacional do Pico Kitt, em Tucson, Arizona, EUA; o Observatório Interamericano de Cerro Tololo, em La Serena, no Chile; e o Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, em Baltimore, Maryland, EUA. A AURA achava que, por partilhar cientistas e informações, todos poderiam obter mais entendimento sobre o sol. Estávamos começando a ver que este observatório isolado tinha conexões com várias partes da Terra.

Fazer o Sol “Parar”

Numa pequena sala de recepção, diagramas coloridos explicavam o que estava sendo estudado, e foi interessante ver que este complexo de edifícios é dedicado ao estudo do sol. Perguntamos a um dos cientistas que trabalham ali se este era um projeto para se saber como explorar a energia solar. Ele explicou que não faziam esse tipo de estudo, mas que se tratava dum projeto de pesquisas básicas para colher informações sobre o sol e seu efeito sobre a atmosfera terrestre e sobre o espaço no sistema solar. Os cientistas também estudam o interior do sol, por observarem constantemente sua superfície.

Nosso guia explicou que o observatório estava situado ali porque o ar seco da montanha e a ausência de poluição o tornavam um bom local. Estabelecido em 1951, era um dos primeiros do gênero, construídos nos Estados Unidos, dedicados ao estudo do sol. Um diagrama próximo mostrava-nos que esta grande torre se eleva 41 metros acima do solo, mas que outros 65 metros do telescópio estão situados abaixo do nível do chão. Assim, o telescópio possui um total de uns 100 metros, a dimensão dum campo de futebol! Existe um vácuo quase total no interior do tubo do telescópio, de modo que, quando a luz solar entra, ela não é distorcida pelo ar aquecido. Isto resulta em incomum clareza das imagens refletidas, fornecendo aos pesquisadores vistas notáveis da superfície do sol.

O inteiro telescópio (que pesa mais de 250 toneladas) é suspenso por um suporte que flutua em mercúrio, permitindo que o telescópio gire de modo livre, a fim de compensar a rotação da Terra. Assim, o telescópio pode visar o sol durante longos períodos, de modo que o sol efetivamente ‘fica parado’ em relação ao telescópio. Isto se destina à observação e à fotografia de pequeníssimas características da superfície do sol, a fotosfera, e da atmosfera inferior do sol, a cromosfera.

Um telescópio incomum desvenda os mistérios do sol

PASSÁVAMOS um dia fora, fazendo um piquenique na fresca Floresta Nacional de Lincoln, no sul do Novo México, EUA, tentando escapar um pouco do calor do deserto, quando vimos uma placa que indicava o Observatório do Pico de Sacramento, em Sunspot, próximo de Cloudcroft, Novo México. Suscitou-se então nossa curiosidade, e dirigimo-nos de carro para Sunspot.

Ninguém de nosso pequeno grupo estava acostumado à altitude de 2.800 metros, e todos ficamos com a respiração ofegante, ao subirmos pela trilha para visitar os telescópios alojados no pico, em prédios de formato esquisito. Esperávamos encontrar um prédio com cúpula arredondada, de modo que não ficamos desapontados quando vimos a Cúpula Hilltop (Topo da Colina), mas verificamos que não se permitia a entrada de visitantes. Daí, vimos um prédio de aparência estranha.

Era um alto prédio triangular, de base estreita, que se erguia do solo e estava aberto aos visitantes. (Veja foto, na página seguinte.) Logo nos achávamos num laboratório que abrigava longo telescópio suspenso num suporte no topo da torre bem acima de nós. Letreiros avisavam para não se pisar na plataforma, a fim de não se desequilibrar o instrumento.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cygnus A — um buraco negro supermaciço?

Há outra região misteriosa na constelação de Cygnus. Visualmente, percebe-se apenas a mancha bem pálida de uma galáxia distante, mas ela emite algumas das mais fortes ondas de rádio detectadas no céu. É chamada de Cygnus A e, desde a sua descoberta, há mais de 50 anos, ela intriga os cientistas.

Imaginar as dimensões de Cygnus A é atordoante. Cygnus X-1 está dentro da nossa galáxia, a alguns milhares de anos-luz, ao passo que Cygnus A, segundo se pensa, está a centenas de milhões de anos-luz de distância. Embora Cygnus X-1 e sua companheira visível estejam apenas a cerca de um minuto-luz distantes uma da outra, as colunas formadas pelos dois jatos de ondas de rádio de Cygnus A estão a centenas de milhares de anos-luz distantes uma da outra. Algo no centro de Cygnus A evidentemente tem disparado esses intensos jatos de energia em direções opostas durante centenas de milhares ou até milhões de anos, como uma espécie de arma laser cósmica. Detalhados mapas de rádio do centro de Cygnus A revelam que, em comparação com os jatos, a “arma laser” é bem pequena, com um tamanho de menos de um mês-luz. Se ela tivesse oscilado durante todo esse tempo, os raios sairiam tortos. Mas os jatos misteriosos são perfeitamente retilíneos, como se a “arma laser” que os dispara tivesse sido estabilizada por um enorme giroscópio.

Por que isso acontece? “Entre as dezenas de idéias propostas até o início dos anos 80 para explicar a fonte de força central”, escreve o professor Kip S. Thorne, “apenas uma incluía um extraordinário giroscópio de vida longa, tamanho de menos de um mês-luz e capacidade de emitir jatos poderosos. Essa idéia única era um buraco negro gigante e rotacional”.

Viagem a um buraco negro

Imagine que você pudesse viajar até Cygnus X-1. Presumindo que se trata mesmo de um buraco negro, provavelmente veria algo como se vê na ilustração da página 17. A estrela grande é a HDE 226868. Ela tem milhões de quilômetros de diâmetro, ao passo que o buraco negro talvez tenha só uns 60 quilômetros de diâmetro. O pontinho preto no centro do redemoinho de gás incandescente é o horizonte de eventos, ou superfície, do buraco negro. Mas não é uma superfície sólida; parece mais uma sombra. É o limite da região na qual a gravidade ao redor do buraco negro é tão forte que nada, nem a luz, consegue escapar. Muitos cientistas acham que dentro do horizonte de eventos, no centro do buraco negro, existe um ponto de volume zero e densidade infinita, conhecido como singularidade, no qual toda a matéria do buraco negro desapareceu.

O buraco negro está sugando as camadas externas de gás da estrela companheira. O gás da estrela forma um disco incandescente à medida que gira cada vez mais rápido numa espiral, aquecendo-se pelo atrito ao redor do buraco negro. Esse disco de gás superaquecido produz raios X às bordas do buraco negro, quando a gravidade intensa acelera o gás a velocidades incríveis. Naturalmente, depois que o gás cai no buraco negro, nem os raios X — nem coisa alguma — conseguem escapar.

Observar Cygnus X-1 é um verdadeiro espetáculo, mas não chegue perto demais! Além dos mortíferos raios X, a gravidade também é perigosa. Na Terra, existe uma pequena diferença, quando estamos de pé, entre a força da gravidade que atua sobre a nossa cabeça e a que atua sobre os pés. Essa diferença cria um pequeno puxão imperceptível. Mas em Cygnus X-1 essa pequena diferença é multiplicada 150 bilhões de vezes, criando uma força que esticaria o nosso corpo, como se mãos invisíveis puxassem os pés para um lado e a cabeça para outro.

Cygnus X-1 — um buraco negro?

Desde os anos 60, os astrônomos se interessam por uma determinada região da constelação de Cygnus. Observatórios orbitais colocados acima da atmosfera da Terra detectaram uma fonte poderosa de raios X nessa região, chamada de Cygnus X-1.

Há muito tempo os cientistas sabem que, quanto mais quente um objeto, mais energia (de comprimentos de ondas eletromagnéticas mais curtas e mais energéticas) ele emite. Se aquecermos um pedaço de ferro numa fornalha bem quente, primeiro ele fica incandescente, vermelho, depois amarelo e, daí, branco, à medida que o ferro fica mais quente. As estrelas são como barras de ferro. Estrelas relativamente frias, com cerca de 3.000 K, têm uma cor avermelhada, ao passo que uma estrela amarela, como o Sol, tem uma temperatura superficial perto de 6.000 K. Mas seria necessário que os gases estelares fossem aquecidos a temperaturas de milhões de graus kelvin para produzir os raios X que vêm de Cygnus X-1. Nenhuma estrela tem uma temperatura de superfície tão alta.

Nas vizinhanças de Cygnus X-1, os astrônomos encontraram uma estrela com temperatura de superfície estimada em 30.000 K, muito quente, sim, mas nem perto da temperatura necessária para produzir os raios X. Essa estrela, catalogada como HDE 226868, tem calculadamente 30 vezes a massa do Sol e está a 6.000 anos-luz da Terra. Essa supergigante tem uma companheira, e elas rodopiam uma ao redor da outra numa valsa orbital a cada 5,6 dias. Certos cientistas calculam que a companheira está a poucos milhões de quilômetros da HDE 226868, e que tem massa umas dez vezes maior do que a do Sol. Mas tem uma característica muito estranha: é invisível. Normalmente uma estrela tão grande não seria invisível a essa distância da Terra. Um objeto com tamanha massa e que parece emitir raios X, mas nenhuma luz visível, é um bom candidato a buraco negro, dizem os cientistas.

Os cientistas encontraram mesmo buracos negros?

PARECE ficção científica: estrelas anteriormente brilhantes tornam-se invisíveis, esmagadas pela própria força gravitacional e nada, nem a luz, consegue escapar delas. Muitos astrônomos crêem que esses buracos negros devem ser bem comuns no Universo. Gostaria de saber mais sobre eles? Vamos começar por uma bela constelação setentrional chamada Cygnus, ou seja, “Cisne”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O que aprendemos dos eclipses solares?

Há pelo menos 60 luas orbitando sete dos nove planetas do sistema solar. A Terra, porém, parece ser o único planeta do sistema solar que presencia o espetáculo dos eclipses totais. Por quê?

Um eclipse solar ocorre quando a Lua fica entre o Sol e a Terra. Para que ele seja total, é preciso que o tamanho aparente do Sol e o da Lua sejam idênticos, de modo que a Lua cubra quase completamente o Sol. É exatamente isso o que acontece! O Sol tem um diâmetro 400 vezes maior do que o da Lua, mas também está quase 400 vezes mais longe da Terra do que a Lua.

Mas a distância da Terra ao Sol — e assim o tamanho aparente dele — não é apenas um fator que resulta na ocorrência de eclipses totais. É também uma condição essencial para a existência de vida na Terra. “Se estivéssemos um pouco mais perto ou mais longe do Sol”, diz Gonzalez, “a Terra seria quente ou fria demais e, com isso, inóspita”.

Mas isso não é tudo. Nosso satélite incomumente grande contribui para a vida no nosso planeta porque sua atração gravitacional impede que a Terra sofra grandes oscilações no seu eixo. Isso poderia causar bruscas e catastróficas variações climáticas. Assim, para haver vida na Terra, o que se precisa é de uma combinação exata da distância certa entre o Sol e a Terra, bem como de uma lua do tamanho certo — sem contar todas as outras características incomuns do sol.

Características intrigantes

● Uma estrela solitária: os astrônomos calculam que 85% das estrelas nas vizinhanças do Sol fazem parte de grupos de duas ou mais estrelas orbitando umas às outras. Essas estrelas se mantêm juntas por causa da força gravitacional.

O Sol, porém, está sozinho. “Parece, então, que o fato de o Sol ser uma estrela solitária é algo bastante incomum”, escreve o astrônomo Kenneth J. H. Phillips no livro Guide to the Sun (Guia do Sol). Essa característica faz com que a órbita da Terra seja mais estável, o que, por sua vez, contribui para que haja condições propícias à vida no globo, diz Gonzalez.

● Uma estrela de grande massa: segundo Gonzalez, o Sol tem outra característica relacionada: “Ele está entre os 10% de estrelas vizinhas com maior massa”, noticia a revista New Scientist. Phillips diz: “O Sol tem 99,87% da massa do sistema solar e, por isso, sua gravidade controla todos os outros corpos do sistema solar.”

Essa característica permite que a Terra fique relativamente longe do Sol (a 150 milhões de quilômetros) sem se desgarrar dele. Essa distância comparativamente grande, por sua vez, protege a Terra e a vida nela de serem torradas pelo Sol.

● Elementos pesados: Gonzalez menciona que o Sol tem 50% mais elementos pesados — carbono, nitrogênio, oxigênio, magnésio, silício e ferro — do que outras estrelas de sua idade e tipo. Nesse respeito, nosso sol se destaca. “A quantidade de elementos pesados no Sol é muito pequena”, diz Phillips, “mas algumas estrelas . . . têm quantidades ainda menores de elementos pesados”. De fato, estrelas que têm quantidades de elementos pesados como as do Sol pertencem a uma categoria específica, a das chamadas estrelas de população I.

O que isso tem que ver com a existência da vida na Terra? Bem, os elementos pesados necessários para sustentar a vida são muito raros — compõem menos de 1% do Universo. A Terra, contudo, consiste quase que inteiramente de elementos mais pesados. Por quê? Porque, dizem os astrônomos, ela orbita uma estrela incomum: o Sol.

● Órbita menos elíptica: há uma outra vantagem em o Sol ser uma estrela de população I. “Em geral, as estrelas de população I seguem órbitas quase circulares ao redor do centro da galáxia”, diz o livro Guide to the Sun. A órbita do Sol é menos elíptica do que a de outras estrelas de sua idade e tipo. Como isso afeta a existência da vida na Terra? Visto que a órbita solar é quase circular, ela impede que o Sol mergulhe no interior da galáxia, onde são comuns as supernovas (estrelas que explodem).

● Variações do brilho: esse é outro fato interessante sobre a estrela do nosso sistema solar. Em comparação com estrelas similares, a variação do brilho do Sol é significativamente menor. Em outras palavras, sua luminosidade é mais estável e mais constante.

Esse fluxo relativamente estável de luz é essencial para a vida na Terra. “Nossa própria existência no planeta”, diz o historiador de assuntos científicos Karl Hufbauer, “é evidência de que a luminosidade do Sol é um dos fatores ambientais mais estáveis”.

● Inclinação da órbita: a órbita do Sol é apenas ligeiramente inclinada em relação ao plano galáctico da Via-Láctea. Isso quer dizer que o ângulo entre o plano da órbita do Sol e o plano da nossa galáxia é muito pequeno. Como isso contribui para a vida na Terra?

Muito além dos confins do nosso sistema solar, há um enorme reservatório esférico de cometas, chamado de nuvem de Oort. Suponhamos que a inclinação da órbita do Sol em relação ao plano galáctico fosse maior. Então o Sol cruzaria abruptamente o plano da galáxia, o que poderia causar distúrbios na nuvem de Oort. Qual seria o resultado? A Terra seria bombardeada por uma catastrófica chuva de cometas, dizem os astrônomos.

O Sol: uma estrela excepcional

ENQUANTO lê este artigo, ou o Sol está brilhando ou você sabe que ele vai nascer em algumas horas. Qual é a importância desse fato? Ora, sem a luz do Sol, os trilhões de seres vivos na Terra — incluindo você — não estariam aqui. Os milhões de espécies, com toda a sua variedade, desapareceriam — das bactérias unicelulares às imensas baleias.

É verdade que apenas cerca de meio bilionésimo da energia total emitida pelo Sol alcança o nosso planeta. Mesmo assim, essas “migalhas” da “mesa” solar são suficientes para manter e sustentar a vida na Terra. E não é só isso. Se essa pequena fração que chega até nós pudesse ser captada e utilizada eficientemente, atenderia com facilidade às necessidades energéticas da sociedade moderna e ainda sobraria muita energia.

A maioria dos livros de astronomia diz que o Sol é uma estrela mediana, “um corpo celeste um tanto comum”. Mas será que o Sol é realmente, em todos os aspectos, “um corpo celeste um tanto comum”? Guillermo Gonzalez, astrônomo da Universidade de Washington, em Seattle, EUA, afirma que o Sol é uma estrela excepcional. Como isso afeta a busca de vida em outros planetas? Gonzalez responde: “Há menos estrelas apropriadas para sustentar vida inteligente do que as pessoas imaginam.” Ele acrescenta: “Se os astrônomos não restringirem sua busca a estrelas tão excepcionais quanto o Sol, estarão perdendo tempo.”

Quais são algumas características que tornam o Sol apropriado para sustentar a vida? Ao examinarmos esses fatores, devemos ter em mente que muitas declarações sobre a física do Universo são teóricas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Assombroso Tamanho

Há apenas 50 anos, os astrônomos que tiravam fotos dos céus notaram formações flocosas, semelhantes a nuvens, em suas chapas fotográficas. Presumiu-se que estas eram nuvens de gases próximas. Mas, à medida que foram construídos telescópios maiores, mais exatos, os “gases” resultaram ser algo muito mais imenso e significativo — galáxias.

Uma galáxia é amplo grupo rotativo de estrelas, gás e pó. As galáxias têm sido chamadas de “universos-ilhas”, pois cada uma delas é deveras como um universo. A terra, o sol e outros planetas do sistema solar são diminuta parte de nossa galáxia, que é chamada de “Via-Láctea”. Este nome se deriva da palavra grega galaxias, que significa “via-láctea”.

Nossa galáxia, a Via-Láctea, é apenas de tamanho médio. Todavia, é imensa, contendo cerca de cem bilhões de estrelas, bem como os planetas de nosso sistema solar, e outra matéria, tais como gases e pó. Seu diâmetro é tão vasto que, se viajasse tão rápido quanto a velocidade da luz, de uns 300.000 quilômetros por segundo, levaria 100.000 anos para cruzá-la! Quantos quilômetros são? Bem, visto que a luz percorre cerca de 9,7 trilhões de quilômetros por ano, multiplique isso por 100.000 e terá a resposta: nossa galáxia tem cerca de 970 quadrilhões de quilômetros de diâmetro! Isso é o número 97 seguido de dezesseis zeros.

É quase impossível para a mente humana compreender tal tamanho e distância. Todavia, isso é apenas o começo do que está “lá fora”. Ainda mais surpreendente é este fato: já foram detectadas agora tantas galáxias que se diz que são ‘tão comuns como lâminas de grama numa campina’. Um cálculo corrente de seu número é de cem bilhões. Não, não é de cem bilhões de estrelas, mas de cem bilhões de galáxias! E cada uma delas contém bilhões de corpos celestes.

Uma idéia de quão numerosas são as galáxias pode ser obtida dum relatório dos cientistas que usavam o enorme telescópio Hale de 200 polegadas (508 cm) do Monte Palomar, Califórnia. Examinaram o espaço até o ponto máximo de visão do telescópio, além da pequena área incluída apenas pela concavidade da constelação de estrelas chamada de Ursa Maior. Quantas galáxias acha que encontraram ali? Da próxima vez que estiver ao ar livre, numa noite clara, olhe para a concavidade da Ursa Maior. Ao fazer isso, tenha presente que cerca de um milhão de galáxias foram encontradas no espaço além daquela pequena área!

Em toda a sua pesquisa, já conseguiram os cientistas detectar a “ponta”, ou “limite externo” do universo? Não, não conseguiram. Embora dotados de instrumentos cada vez mais poderosos conseguissem penetrar cada vez mais no espaço, não conseguem ver o fim da fantástica expansão dos céus. Mas, aprenderam algo mui ímpar sobre as galáxias.

Sondando o Universo

Hoje em dia sabe-se mais sobre o universo do que em qualquer tempo anterior. Nas últimas décadas, toda espécie de instrumentos foram inventados para auxiliar os cientistas a procurar respostas para suas perguntas.

Agora existem mais telescópios óticos poderosos para se contemplar as estrelas e fotografá-las. Radiotelescópios maiores e mais novos captam os sinais de rádio que vêm do espaço. E instrumentos avançados que podem analisar a luz e o calor das estrelas são amplamente usados.

Em adição, os cientistas dispõem do radar e de satélites artificiais. Estes são úteis para a sondagem de nosso sistema solar contíguo, isso é, nosso sol e seus planetas e luas.

Por meio de todas essas fontes, um dilúvio de informações, bem como teorias resultantes, têm fluído. E várias coisas se tornaram evidentes. Uma é que o universo resultou ser muito, muito mais assombroso do que alguém poderia imaginar, deixando a mente perplexa quando se considera a imensidão e complexidade de tudo. A revista National Geographic observou que aquilo que o homem aprende agora “o deixa atônito”.

Isso também reduziu a destroços muitas teorias prévias sobre o universo. Como disse a National Geographic: “Novas informações excitantes que agora surgem em incessantes correntes estão abalando nossas idéias sobre o universo.”

No entanto, às vezes, novos bits de informação são usados como base duma nova teoria que talvez não esteja mais perto da verdade do que aquela que ela substitui. O Dr. James Van Allen, da Universidade de Iowa, trouxe à lembrança o que alguém certa vez disse: “Há algo de fascinante sobre a ciência. Obtém-se tão profusas retribuições de conjetura de tão insignificante investimento de fatos.”

Outra coisa que se revela é quão pouco os cientistas realmente sabem sobre o universo. Não importa quão extensivas sejam suas observações, fotografias e gravações, ainda admitem que os humanos só arranharam a superfície de conhecimento sobre o espaço. Isso deveria fazer que todos nós fôssemos humildes, e, deveria aumentar nosso respeito pelo Criador de tão assombroso arranjo.

Nosso assombroso Universo

POR milhares de anos, as pessoas se maravilham dos céus estrelados. Numa noite clara, não se pode deixar de ficar impressionado com a beleza e a majestade das estrelas que podem ser vistas.

Os que pensam no que vêem, amiúde se perguntam: Exatamente o que “está lá fora”? Como é organizado? Haverá qualquer fim disso? De onde veio?

domingo, 1 de agosto de 2010

Um começo ordeiro

Pense nisso: a conversão descontrolada de matéria em energia na explosão de uma bomba nuclear causa o caos, como se viu em 1945 no Japão, na destruição total de Hiroshima e boa parte de Nagasaki por meio desse tipo de bomba. No entanto, longe de ser caótico, o Universo é harmonioso e belo! Considere também a maravilhosa Terra e sua surpreendente variedade de vida. Obviamente, isso não poderia ter vindo à existência sem alguma direção e controle inteligentes!

A revista Newsweek, de 9 de novembro de 1998, examinou as implicações das descobertas a respeito da criação do Universo. Segundo ela, os fatos “sugerem que a matéria e o movimento se originaram como Gênesis [na Bíblia] sugere, ex nihilo, [ou seja], a partir do nada, numa estupenda explosão de luz e de energia”. Note as razões que a revista deu para comparar o começo do Universo com a descrição bíblica desse evento.

“As forças liberadas eram — são — notavelmente (milagrosamente?) equilibradas: se o big-bang tivesse sido um pouquinho menos violento, a expansão do Universo teria sido menos rápida, e logo (em alguns milhões de anos, ou em alguns minutos — de qualquer maneira, logo) teria entrado em colapso sobre si mesma. Se a explosão tivesse sido um pouquinho mais violenta, o Universo poderia ter-se dispersado num “caldo” fino demais para se agregar e formar estrelas. As probabilidades contra nós [de que o Universo e a vida surgiram por acaso] são — este é o termo exato: astronômicas. A proporção de matéria e de energia em relação ao volume de espaço no momento do big-bang não deve ter passado mais do que um quadrilionésimo de 1% da ideal.”

A mesma revista sugeriu que havia, por assim dizer, um “Regulador” do Universo, observando: “Eliminem apenas essa variação (o acima mencionado quadrilionésimo de 1% de margem de erro), . . . e o resultado não será apenas desarmonia mas eterna entropia e gelo. Assim, o que — ou quem — foi o grande Regulador?”

O astrofísico Alan Lightman reconheceu que os cientistas “acham misterioso que o Universo tenha sido criado num estado de ordem tão elevado”, acrescentando: “Qualquer teoria de cosmologia bem-sucedida devia em última análise explicar esse problema da entropia”, ou seja, por que o Universo não se tornou caótico.

“Dois lados da mesma moeda”

Tem-se dito o acima a respeito da energia e da matéria. “A matéria é simplesmente uma forma de energia”, observou a Scientific American. Essa relação entre matéria e energia foi expressa por meio da famosa fórmula de Einstein: E=mc2 (a energia é igual à massa vezes o quadrado da velocidade da luz). Essa equação revela que um pouco de massa, ou matéria, abriga uma inacreditável energia. “Isso explica”, observou o professor universitário Timothy Ferris, “por que uma bomba do tamanho de uma laranja pode devastar uma cidade”.

Considerando-se o outro lado da moeda — segundo a teoria de Einstein, a energia também pode ser transformada em matéria. De modo que a formação do Universo material pode ter envolvido o que certo cosmólogo chamou de “a transformação mais aterradora da matéria e da energia que tivemos o privilégio de vislumbrar”.

Mas de onde vieram a matéria e a energia necessárias para essa “transformação”? A ciência não tem uma resposta satisfatória. Curiosamente, a Bíblia diz sobre Deus: “Devido à abundância de energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer [um dos corpos celestes].” (Isaías 40:26) Sejam quais forem os meios usados por Deus para criar o Universo, obviamente ele tem a energia e o poder necessários para fazer isso.

Surgiu por acaso ou foi criado?

MUITOS cientistas não se sentem à vontade com a idéia de que o Universo teve um Criador inteligente. Por isso, eles especulam que, de alguma forma, o Universo simplesmente surgiu sozinho. Mas nenhum deles consegue explicar como isso seria possível.

Na verdade, é como disse a revista Scientific American, de janeiro de 1999: “A teoria do big-bang não descreve o nascimento do Universo.” E acrescentou: “Para explicar a criação original do Universo será preciso outra teoria que descreva até mesmo épocas anteriores.”

No entanto, parece-lhe razoável que o Universo de alguma forma simplesmente criou a si mesmo? O físico Charles H. Townes observou: “É verdade que os físicos esperam olhar além do ‘big-bang’, talvez para explicar a origem do Universo como se fosse, por exemplo, um tipo de flutuação. Sim, mas, isso seria uma flutuação de que, e como isso, por sua vez, começou a existir? Para mim, a questão da origem parece ficar sempre sem resposta, se a examinamos apenas do ponto de vista científico.”

Reconhece-se agora que houve tempo em que o Universo não existia, e que, de alguma maneira, veio a existir. Será que aquilo que já se sabe a respeito das leis do Universo nos ajuda a entender como isso poderia ter acontecido?

sábado, 10 de julho de 2010

Tentativas de explicar o Começo

Será que os especialistas agora sabem explicar a origem do Universo? Muitos cientistas, não à vontade com a idéia de que o Universo possa ter sido criado por uma inteligência superior, especulam que, por meio de algum processo, ele tenha criado a si mesmo do nada. Parece-lhe razoável isso? Tais especulações em geral envolvem alguma variação de uma teoria (a do Universo inflacionário) apresentada em 1979 pelo físico Alan Guth. No entanto, mais recentemente, o Dr. Guth admitiu que a sua teoria “não explica como o Universo surgiu do nada”. O Dr. Andrei Linde foi mais explícito num artigo em Scientific American: “Explicar essa singularidade inicial — onde e quando tudo começou — ainda é o problema mais renitente da cosmologia moderna.”

Se os especialistas realmente não sabem explicar a origem nem o desenvolvimento primordial do Universo, não devemos procurar uma explicação em outra parte? De fato, você tem boas razões para considerar evidências que muitos têm despercebido, mas que lhe poderão dar uma boa compreensão desse assunto. Essas evidências incluem as dimensões precisas de quatro forças fundamentais responsáveis por todas as propriedades e mudanças que afetam a matéria. A simples menção de forças fundamentais talvez leve alguns a hesitar, pensando: ‘Isso é coisa só para os físicos.’ Não é. Vale a pena considerar os fatos básicos, pois nos afetam.

Evidências apontam para um Começo

Todas as estrelas que vemos estão na Via-Láctea. Até os anos 20, esta parecia ser a única galáxia existente. Mas provavelmente você sabe que em observações posteriores, com telescópios maiores, ficou provado que isso não é assim. O Universo contém pelo menos 50 bilhões de galáxias. Não são 50 bilhões de estrelas, mas pelo menos 50 bilhões de galáxias, cada qual com bilhões de estrelas semelhantes ao Sol. Mas não foi a quantidade estonteante de enormes galáxias que abalou as crenças científicas nos anos 20. Foi o fato de estarem todas em movimento.

Os astrônomos descobriram um fato notável: quando passaram luz galáctica através de um prisma, observou-se um ‘esticamento’ nas ondas luminosas, indicando que se afastavam de nós a grande velocidade. Quanto mais distante a galáxia, tanto mais rapidamente parecia afastar-se. Isso indica um Universo em expansão.

Mesmo sem sermos astrônomos profissionais ou amadores podemos ver que um Universo em expansão teria profundas implicações no nosso passado — e talvez também no nosso futuro pessoal. Alguma coisa forçosamente desencadeou esse processo — uma força suficientemente poderosa para vencer a imensa gravidade do Universo inteiro. É válido perguntar-nos: ‘De que fonte viria uma energia tão poderosa?’

Ainda que para a maioria dos cientistas o Universo tenha tido um começo bem pequeno e denso (uma singularidade), não podemos fugir desta questão fundamental: “Se em algum ponto no passado o Universo estava confinado a um estado singular de tamanho infinitamente pequeno e de infinita densidade, temos de perguntar o que havia ali antes e o que havia fora do Universo. . . . Temos de encarar o problema de um Começo.” — Sir Bernard Lovell.

Isso envolve mais do que apenas uma fonte de vasta energia. Requer também previsão e inteligência, pois o ritmo de expansão parece estar ajustado com grande precisão. “Se o Universo tivesse se expandido uma trilionésima parte mais rápido”, disse Lovell, “toda a matéria no Universo já estaria dispersa agora. . . . E se tivesse sido uma trilionésima parte mais lento, as forças gravitacionais teriam arruinado o Universo mais ou menos dentro de seu primeiro trilhão de anos de existência. De novo, não haveria estrelas de longa vida nem a própria vida”.

Qual é a origem do universo? — a controvérsia

OS ASTRONAUTAS emocionam-se ao fotografar a Terra, que parece enorme quando vista através da janela de uma espaçonave. “É o momento mais agradável de um vôo espacial”, disse um deles. Mas a Terra é bem pequena em comparação com o sistema solar. Dentro do Sol caberiam um milhão de Terras, e sobraria espaço! Mas, poderiam esses fatos a respeito do Universo ter algo a ver com a nossa vida e seu sentido?

Façamos uma breve excursão mental ao espaço, para ver o Sol e a Terra em perspectiva. O Sol é apenas uma de um número assombroso de estrelas que ficam num dos braços espirais da galáxia Via-Láctea, ela mesma apenas uma diminuta parte do Universo. A olho nu podem-se ver algumas manchas de luz que, na realidade, são outras galáxias, como a bela Andrômeda, maior do que a Via-Láctea. A Via-Láctea, a Andrômeda e mais umas 20 outras galáxias são mantidas juntas pela gravitação num aglomerado, todas elas ocupando apenas um pequeno espaço num vasto superaglomerado. O Universo contém inumeráveis superaglomerados, e isso não é tudo.

Os aglomerados não estão espalhados por igual no espaço. Numa escala enorme, eles parecem paredes e filamentos envolvendo gigantescas regiões vazias, ou ‘bolhas’. Algumas partes são tão longas e largas que parecem grandes muralhas. Isso talvez surpreenda a muitos que pensam que o Universo criou a si mesmo numa explosão cósmica casual. “Quanto mais claramente vermos o Universo em todos os seus detalhes gloriosos”, conclui um escritor sênior da revista Scientific American, “tanto mais difícil será explicarmos com uma teoria simples como é que ele se formou”.

domingo, 20 de junho de 2010

Atemorizantes

O campo magnético da terra desvia muitos dos raios cósmicos primários de modo que nem sequer atingem a atmosfera da terra. Mas, os cientistas expressam grande preocupação quando pensam no que aconteceria à vida na terra se o campo magnético não existisse.
Há qualquer perigo de o campo magnético da terra não agir como almofada, como protetor? Sim. Reconhecem em geral os cientistas que o campo magnético da terra se tem invertido muitas vezes, enfraquecendo-se temporariamente nesse processo. Diz-se que o campo magnético até mesmo ficou completamente desligado no passado! E muitos cientistas acham que uma inversão do campo magnético está ocorrendo agora.
O que aconteceria se o campo magnético da terra se enfraquecesse consideravelmente no processo de uma inversão, ou se ficasse completamente desligado, até mesmo que por curto tempo? Os raios cósmicos primários que agora são desviados pelo campo magnético da terra atingiriam diretamente a nossa atmosfera. Ali haveria enorme acréscimo da radiação cósmica que atinge a terra.
Quanto mais ampla for a dose de raios cósmicos, tanto mais prejudicial seriam os seus efeitos. Na grande exposição, haveria efeitos bem observáveis sobre o sistema nervoso central e sobre os olhos. A hiperexcitabilidade, nos últimos estágios semelhante aos ataques epilépticos, períodos de estupor e incoerência, viriam em primeiro lugar. A morte se seguiria dentro de poucos dias.
Com menor radiação, embora ainda letal, os efeitos variariam. Em geral, haveria perda de apetite, náuseas, vômitos, seguidos de prostração, diarréia aquosa e sangrenta. Seguir-se-ia a febre alta. Os tecidos que formam o sangue seriam afetados, e, em questão de dias, a contagem dos glóbulos brancos decresceria drasticamente. Em resultado, o sangue perderia suas defesas naturais contra a infecção. A inflamação da parede intestinal se seguiria, junto com a inflamação de outras membranas mucosas do corpo. O sangue perderia sua habilidade de coagular, e hemorragias espontâneas, externas e internas, resultariam. O corpo começaria a perder os pêlos. Por fim, viria o delírio ou a coma, e daí, a morte.
Não haveria lugar de escape destas chuvas altamente incrementadas e penetrantes de raios cósmicos, se tal enfraquecimento do campo magnético da terra ocorresse. Nem mesmo a própria terra poderia fornecer um abrigo, visto que estas partículas penetrariam por quilômetros terra adentro.
Se, ao trazer o fim deste perverso sistema de coisas em breve, como a Bíblia prediz, o Criador, Deus, resolver usar os raios cósmicos como parte das forças destrutivas, então, o que se dara? Então, apenas o Criador poderia proteger as coisas vivas que ele resolver preservar. Isto ele poderia fazer facilmente, pois, ao passo que os raios cósmicos talvez constituam grande mistério para o homem, não são mistério algum pára o seu Criador, que pode controlá-los para cumprir seus propósitos. — Isa. 26:20; Sof. 2:3; Zac. 14:12.

Que Efeito Sobre o Homem?

Não obstante, a cada minuto de toda hora, vinte e quatro horas por dia, uma chuva de raios cósmicos secundários o atravessa e tudo o mais que há na terra. Que efeito tem isto sobre o homem?
Os cientistas não têm resposta definitiva para esta pergunta. No entanto, visto que os raios cósmicos são uma forma de radiação, tem-se sugerido que poderiam causar mudanças na hereditariedade. Deveras, suficiente de tal radiação poderia não só causar dano às células vivas, mas matar também a pessoa. Entretanto, não há tanta dessa radiação cósmica letal que atinja agora a terra.
Ao passo que não é certo que efeito de longo alcance tem a radiação cósmica sobre o homem, vale a pena notar-se que, pouco depois do dilúvio dos dias de Noé em 2370 A. E. C., a duração de vida do homem sofreu dramática queda. Antes do Dilúvio, algumas pessoa viveram por mais de 900 anos. (Gên. 5:5, 8, 11, 14, 20, 27) Todavia, cerca de 800 anos depois do Dilúvio a duração da vida tinha sido reduzida para cerca de setenta anos, ao que é agora. — Sal. 90:10.
Que isto tem a ver com os raios cósmicos? Visto que os raios cósmicos primários são impedidos de atingir a terra diretamente pela atmosfera relativamente tênue da terra, é possível que fossem ainda mais efetivamente absorvidos antes do Dilúvio. Como assim? Porque a Bíblia mostra que havia um dossel d’água bem acima da terra. Foi esta água que desceu e causou o Dilúvio. (Gên. 7:11, 12; 8:2) Este dossel d’água pré-diluviano provavelmente teria impedido os raios cósmicos primários muito mais efetivamente do que agora. Assim, é possível que a duração da vida do homem, drasticamente reduzida depois do Dilúvio, talvez se deva, em parte, ao bombardeio mais desimpedido dos raios cósmicos em nossa atmosfera.
Demasiada exposição à radiação cósmica causa dano ao tecido vivo. Assim, os cientistas se preocupam quando os astronautas, em vôos para a lua, deixam a atmosfera protetora da terra. Enfrentam direta exposição, não apenas aos raios cósmicos secundários, mas aos mais poderosos raios cósmicos primários. Um vôo de alguns dias talvez não produza efeitos prejudiciais observáveis. Mas, um vôo de semanas poderia ser diferente. Qualquer revestimento protetor em sua espaçonave talvez não fosse completamente eficaz. Os fortes raios cósmicos primários que atingem os átomos da cobertura protetora lançariam chuvas de raios cósmicos secundários que facilmente penetrariam nos astronautas.
Além disso, um grande perigo na viagem espacial reside nas chuvas de raios cósmicos que se originam das protuberâncias solares. Estes estão além da habilidade de predição dos cientistas. Assim, se os astronautas estiverem fora da atmosfera e do campo magnético da terra, quando ocorrer uma súbita e gigantesca protuberância solar, poderiam ver-se engolfados durante dias numa enorme chuva de raios cósmicos.

Raios Cósmicos Secundários

Conforme observado antes, os raios cósmicos que se originam fora do sistema solar, e também os do sol, são chamados de raios cósmicos primários. Nenhum destes realmente atinge direto a terra. Com efeito, muitos que se dirigem para a terra jamais a atingem, ao serem desviados pelo campo magnético da terra.
As partículas primárias que não são desviadas, viajando quase à velocidade da luz, só chegam até à atmosfera superior da terra. Ali, colidem com átomos de ar, tais como de oxigênio e nitrogênio.
Quando ocorre tal colisão, começa uma reação em cadeia. O raio cósmico primário, usualmente um próton de hidrogênio, despedaça o átomo de ar com que se choca. Isto produz uma chuva de partículas atômicas. Estas, por sua vez, continuam a chocar-se com outros átomos e partículas. Um raio cósmico primário que se lance sobre um átomo de ar produz assim, talvez, uma chuva de milhões ou até mesmo bilhões de outras partículas de alta velocidade, poderosos raios cósmicos secundários.
Uma de tais chuvas de raios cósmicos secundários registrada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts produziu cerca de dez bilhões de partículas de raios cósmicos secundários! O raio primário que deu início à chuva, segundo se disse, deveria ter uma energia entre vinte e quarenta quintilhões de eléctron-volts (20 a 40.000.000.000 Bev), fantástica demonstração de energia! Naquele tempo, isto era mais do que 500 milhões de vezes a energia produzida pelo desintegrador atômico mais poderoso do mundo. Esta gigantesca chuva de raios cósmicos secundários ocorreu, segundo os cientistas, em dez milionésimos de um segundo!
Assim, a constante chuva de raios cósmicos que atinge a terra se compõe destas partículas secundárias, prole dos raios cósmicos primários que chegam. São estas partículas secundárias que penetram quilômetros de rocha maciça. E, ao passo que a matéria altamente condensada, conhecida como chumbo, pode parar a maioria dos outros tipos de radiações, não pode parar a penetração destes raios cósmicos secundários.
Todavia, a energia total da radiação que realmente atinge a terra é apenas uma fração da que chega, pois até mesmo grande parte da radiação secundária é absorvida pela atmosfera inferior.

O Que os Torna Tão Poderosos?

Uma coisa é certa, porém. Os raios cósmicos primários que se originam fora de nosso sistema solar são extremamente poderosos. Atingem a atmosfera da terra com força quase incrível. Como é que chegaram a adquirir tal força?
Alguns cientistas acham que adquirem sua força ao serem inicialmente lançados como jatos de partículas das supernovas, ou estrelas em explosão. Mas, outros acham que os raios cósmicos atingem suas velocidades e obtêm sua força de outra forma.
Através do espaço interstelar há campos magnéticos e enormes nuvens magnéticas de gás. Algumas partículas acontecem cair nestes campos magnéticos e nuvens magnéticas de gás, ou próximas deles exatamente no ângulo certo. Se permanecerem na direção correta por tempo suficiente, são projetadas a maiores velocidades, ganhando maior energia. Em seu percurso através da galáxia, tais partículas entram em contato com ainda outros campos e nuvens magnéticas e recebem ainda maior impulso.
Poderemos comparar isto a uma pessoa que chuta uma bola. Começando a rolar vagarosamente, imagine que passe por outra pessoa que também dê outro chute nela, de modo que a bola role mais rápido. Repita-se isto até que a bola atinja a velocidade máxima. De forma um tanto similar, à medida que os núcleos dos átomos percorrem o espaço, alguns são captados na forma exata pelos vários campos magnéticos no espaço e são impulsionados cada vez mais rapidamente até que sua velocidade se aproxime à da luz. Agora contêm tremenda energia. Tornaram-se raios cósmicos. Pelo menos, este é o processo que alguns cientistas favorecem como sendo a resposta.

De Onde Vêm?

Durante anos, a origem dos raios cósmicos primários era questão disputada. Ainda é.
Alguns achavam que provinham do sol. Outros criam que provinham de explosões de estrelas (supernovas) em nossa galáxia da Via Láctea. Ainda outros diziam que alguns se originavam em outras galáxias. Sugeriu-se também que a radiação cósmica talvez tivesse ficado da explosão de uma bola de fogo original que deu origem ao universo.
Em princípios da década de 1940, observou-se que o nosso sol produzia raios cósmicos relativamente “brandos” durante as protuberâncias solares. As protuberâncias solares resultam das manchas solares, que podem ser assemelhadas a “tempestades” magnéticas e elétricas na face do sol. Durante estas protuberâncias solares, enormes quantidades de partículas, principalmente núcleos de hidrogênio, são lançadas no espaço. Algumas destas partículas atingem a velocidade e a energia que as colocam na categoria de raios cósmicos primários.
Não obstante, isto não resolveu o problema. Por que não? Porque, até mesmo quando não havia protuberâncias solares, ainda havia intensa radiação cósmica que atingia a terra.
Por isso, chegaram-se às seguintes conclusões: (1) As protuberâncias solares são muito infreqüentes para constituírem a fonte de tal bombardeio constante de raios cósmicos; (2) muitas protuberâncias solares produzem raios cósmicos com energias muito inferiores às que são normalmente encontradas; (3) a reação química de uma barragem solar de raios cósmicos é diferente, visto que o hélio está quase que completamente ausente, ao passo que cerca de 9 por cento dos outros raios cósmicos se compõem de hélio. E, por fim, (4) os raios cósmicos de energia muito elevada atingem a atmosfera da terra, provenientes de todas as direções, e não apenas da direção do sol.
Por tais razões, concluiu-se que o sol contribui não mais do que pequena parte do bombardeio total de radiação cósmica sobre a atmosfera terrestre. Mas, então, de onde provém estes outros raios cósmicos mais poderosos? Embora não se saiba definitivamente, alguns acham que a maioria deles se origina no seio de nossa própria galáxia, a Via Láctea. Muitos cientistas acham que as fontes são estrelas “em explosão”, chamadas supernovas. Pensa-se que estas lançam os núcleos dos elementos, principalmente hidrogênio, no espaço sideral.
Não obstante, há cientistas que acham que os núcleos mais pesados de alguns raios cósmicos são tão poderosos que poderiam ter escapado de outras galáxias e chegado à nossa, assim, a fonte estaria fora de nossa Via Láctea. Daí, conforme observado anteriormente, alguns sustentam que nossa galáxia talvez esteja saturada de raios cósmicos em resultado da explosão da bola de fogo original que se expandiu para se tornar o inteiro universo.
Seja qual for sua origem, pensa-se que tais partículas percorrem uma trilha reta através do espaço interestelar até que sejam desviadas por vários campos magnéticos, tais como os das nuvens gasosas. Ao percorrerem a galáxia, talvez sejam desviadas muitas vezes, até que percorram uma trilha completamente diferente, e a uma velocidade completamente diferente do que quando começaram. Isto é fornecido como a razão pela qual os raios cósmicos do espaço sideral atingem a terra provenientes de todas as direções.

O Que São os Raios Cósmicos

Por mais de meio século, os cientistas têm perscrutado os mistérios dos raios cósmicos. Em 1912, o falecido Victor F. Hess, físico austríaco, voou sobre a Europa num balão, a altitudes de mais de 4.800 metros. Procurava mais informações sobre a fonte de misteriosa radiação detectada em experiências de laboratório. Baseado em medidas tomadas no vôo, disse:
“Os resultados de minhas observações são melhor explicados pela suposição de que a radiação de grande poder penetrativo entra em nossa atmosfera proveniente de cima.”
Em 1925, o físico estadunidense, Robert A. Millikan, denominou a radiação de “raios cósmicos”, porque se originavam no “cosmos” ou universo. Nas décadas desde então, a natureza dos raios cósmicos tem sido mui razoavelmente determinada.
Descobriu-se que a maioria dos raios cósmicos primários são núcleos de átomos. Trata-se de átomos que foram despojados de seus elétrons orbitantes. Sem comparação, os mais abundantes são os de hidrogênio, o elemento mais leve conhecido ao homem. Seus núcleos contêm apenas um próton. Assim, a grande maioria dos raios cósmicos primários, cerca de 90 por cento, são prótons de hidrogênio.
Cerca de 9 por cento dos raios cósmicos primários são os núcleos do seguinte elemento mais leve, o hélio. O restante 1 por cento são núcleos de átomos mais pesados. Quanto mais pesado for o núcleo, tanto mais raramente se encontram em forma de raios cósmicos.
Não obstante, grande parte do espaço no universo contém enormes nuvens de hidrogênio, compostas dos núcleos de átomos de hidrogênio. São raios cósmicos todas estas partículas?
Não, pois a fim de ser classificada como raio cósmico primário, uma partícula precisa ser acelerada a grandíssima velocidade e energia. As nuvens de gás de hidrogênio no universo não possuem tal velocidade e energia. Talvez ilustremos isso por pensar em uma barra de ferro pousada no solo. Tem energia potencial, mas precisa ser posta em movimento. Se apanhar essa barra de ferro e bater em algo com ela, então tem grande poder, até mesmo de rebentar o objeto contra o qual bateu. Os núcleos de hidrogênio nas nuvens de gás podem ser comparados a isso. Têm o potencial para se tornar raios cósmicos primários, mas não se tornam tais a menos que sejam acelerados a altíssimas velocidades, que estariam bem próximas da velocidade da luz, de 300.000 quilômetros por segundo!
Será que há um mínimo de energia que certa partícula tem de ter para ser classificada como raio cósmico? Escrevendo em Scientific American, de fevereiro de 1969, V. G. Ginzburg, professor do Instituto de Física e Técnica em Moscou, declarou:
“Embora não haja acordo universal quanto à energia cinética mínima que uma partícula tem de ter para ser chamada de raio cósmico, eu estabelecerei arbitrariamente que tal mínimo deve ser de 100 milhões de eléctron-volts.”
Calcula-se que o raio cósmico médio tem energia de cerca de 10 bilhões de eléctron-volts (10 Bev). Alguns sugerem energia muito mais elevada, chegando até a um quintilhão de eléctron-volts (1.000.000.000 Bev). E alguns têm deixado registrados que eram de vinte a quarenta vezes mais poderosos do que isso! Quão poderoso é tudo isto? Tenha presente que o aparelho médio doméstico opera apenas com 120 volts!

Os misteriosos raios cósmicos

OS CIENTISTAS demonstram reverência para com os raios cósmicos. São, sem comparação, as partículas mais poderosas conhecidas pelo homem. Contêm milhões de vezes mais energia do que quaisquer outras partículas que os maiores aceleradores de átomos do homem possam produzir.
Tais raios, conhecidos como raios cósmicos “primários”, bombardeiam a atmosfera terrestre dia e noite. Colidem com os átomos que constituem os vários elementos da atmosfera. Tal colisão produz uma chuva explosiva de raios cósmicos “secundários”. São estes raios “secundários” que então mergulham velozmente para a superfície da terra.
Os raios cósmicos secundários penetram em tudo, inclusive em quilômetros de rocha, até mesmo em chumbo. Com efeito, agora mesmo, ao ler esta página, os raios cósmicos secundários penetram em cada centímetro quadrado do próprio leitor, na proporção de cerca de dez por minuto!
O que são exatamente os misteriosos raios cósmicos primários? De onde provêm? O que os torna tão poderosos? Que efeito têm sobre o homem?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Deus, projeto e as constantes da física

Quais são algumas dessas constantes fundamentais da física essenciais à vida no Universo? Um artigo no jornal The Orange County Register, de 8 de janeiro de 1995, alistou algumas dessas constantes. Frisou a fina sintonização que tem de existir entre esses componentes, declarando: “Os valores quantitativos de muitas constantes físicas básicas que definem o Universo — por exemplo, a carga de um elétron, a velocidade fixa da luz ou o coeficiente de energia de forças fundamentais na natureza — são espetacularmente precisos, alguns até a 120 casas decimais. O desenvolvimento de um Universo que gera vida é extremamente sensível a essas especificações. A menor variação — um nanosegundo aqui, um angstrom ali — e o Universo pode muito bem morrer e ficar estéril.”

Daí, o autor do artigo disse algo que não é comum dizer: “Parece mais razoável presumir que alguma misteriosa propensão se esconde dentro do processo, talvez na ação de um poder inteligente e proposital que ajustou com precisão o Universo em preparação da nossa chegada.”

George Greenstein, professor de Astronomia e Cosmologia, forneceu uma lista mais longa dessas constantes físicas em seu livro The Symbiotic Universe. Na alistagem figuram constantes tão bem ajustadas que, se estivessem desajustadas no mais ínfimo grau, nenhum átomo, nenhuma estrela, nenhum universo jamais poderia existir. Detalhes dessas relações estão alistados no quadro acompanhante. É preciso que existam para que a vida física seja possível. São complexos, e talvez nem todos os leitores os entendam, mas são reconhecidos, além de muitos outros, pelos astrofísicos versados nesses assuntos.

À medida que essa lista aumentava, Greenstein se espantava. Ele disse: “Quantas coincidências! Quanto mais eu leio, tanto mais me convenço de que tais ‘coincidências’ de forma alguma poderiam ter acontecido por acaso. Mas, à medida que essa convicção aumentava, aumentava também algo mais. Mesmo agora é difícil expressar esse ‘algo mais’ em palavras. Foi uma convulsão intensa e, por vezes, quase de natureza física. Eu literalmente me contorcia devido ao desconforto . . . É possível que, subitamente, sem intenção, tenhamos nos deparado com a prova científica da existência de um Ser Supremo? Foi Deus quem interveio e, assim, providencialmente, esquematizou o cosmos para o nosso benefício?”

Atormentado e horrorizado com essa idéia, Greenstein logo se retratou, reassumiu a sua ortodoxia religiosa-científica, e proclamou: “Deus não é uma explicação.” Deus não é razão válida — a idéia de que Deus existe lhe era tão impalatável que ele não conseguia engoli-la!

O que falta: a disposição de encarar fatos impalatáveis

A maioria dos cientistas — e isso inclui a maioria dos cosmólogos — endossa a teoria da evolução. Eles acham impalatáveis quaisquer palavras que atribuam à inteligência e ao objetivo um papel na criação, e se arrepiam diante da simples menção de Deus como Criador. Recusam-se até mesmo a considerar tal heresia. O Salmo 10:4 fala com desmérito da pessoa altiva que “não faz nenhuma pesquisa; todas as suas idéias são: ‘Não há Deus.’” A sua deidade criativa é o Acaso. Mas, à medida que o conhecimento aumenta e a teoria do acaso e da coincidência desmorona sob o crescente peso da evidência, os cientistas recorrem cada vez mais às hipóteses ‘proibidas’ — as de que existe inteligência e projeto no Universo. Veja estes exemplos:

“Evidentemente tem faltado um componente nos estudos cosmológicos. A origem do Universo, assim como a solução do cubo de Rubik, requer uma inteligência”, escreveu o astrofísico Fred Hoyle em seu livro The Intelligent Universe, na página 189.

“Quanto mais eu examino o Universo e estudo os pormenores de sua arquitetura, tanto mais evidência encontro de que o Universo, em certo sentido, deve ter sabido que nós estávamos chegando.” — Disturbing the Universe, de Freeman Dyson, página 250.

“Que particularidades do Universo eram essenciais para o surgimento de criaturas como nós, e será por coincidência, ou por alguma razão mais profunda, que o nosso Universo tem tais particularidades? . . . Existe algum plano mais profundo que garante que o Universo seja feito sob medida para a humanidade?” — Cosmic Coincidences, de John Gribbin e Martin Rees, páginas xiv, 4.

Fred Hoyle também comenta a respeito dessas propriedades na página 220 de seu já mencionado livro: “Tais propriedades parecem fazer parte do tecido do mundo natural, como um fio de felizes acidentes. Mas existem tantas dessas estranhas coincidências, essenciais à vida, que parece ser necessária alguma explicação para justificá-las.”

“O caso não é que apenas o homem seja adaptado ao Universo. O Universo é adaptado ao homem. Imagine um Universo em que uma ou outra das fundamentais constantes da física, não dimensionáveis, sofra de alguma maneira uma pequena porcentagem de alteração. O homem jamais poderia vir a existir nesse Universo. Esse é o ponto central do princípio antrópico. Segundo esse princípio, um fator vitalizador jaz no centro do inteiro mecanismo e projeto do mundo.” — The Anthropic Cosmological Principle, de John Barrow e Frank Tipler, página vii.

O espantoso universo

‘Está faltando algo’: o quê?

DEPOIS de mirar as estrelas num límpido céu noturno, entramos em casa extasiados, com a mente fervilhando com tanta beleza e profusão de perguntas. Por que existe o Universo? De onde se originou? Qual é o seu destino? São perguntas que muitos tentam responder.

Depois de cinco anos de pesquisas em cosmologia, que o levou a conferências científicas e centros de pesquisa em todo o globo, o redator de ciências Dennis Overbye falou de uma conversa que teve com o mundialmente famoso físico Stephen Hawking: “No fim, o que eu queria saber de Hawking é o que eu sempre quis saber de Hawking: para onde vamos ao morrer?”

Apesar do tom irônico, essas palavras revelam muito a respeito da nossa era. As indagações não são tanto a respeito das próprias estrelas ou das teorias e conceitos conflitantes dos cosmólogos que as estudam. As pessoas ainda anseiam respostas a perguntas básicas que perseguem a humanidade há milênios: por que existimos? Existe Deus? Para onde vamos ao morrer? Onde estão as respostas a essas perguntas? Encontram-se nas estrelas?

Outro redator de ciências, John Boslough, disse que, com o abandono da religião por parte das pessoas, os cientistas, tais como os cosmólogos, tornaram-se “o sacerdócio perfeito para uma era secularizada. Eles, não os líderes religiosos, seriam os que agora revelariam todos os segredos do Universo, ponto por ponto, não em forma de epifania espiritual, mas em forma de equações obscuras para todos, menos para os ungidos [os cientistas]”. Mas revelarão eles todos os segredos do Universo e responderão a todas as perguntas que por eras acossam a humanidade?

O que estão os cosmólogos revelando agora? A maioria defende alguma versão da “teologia” da “grande explosão”, que se tornou a religião secular do nosso tempo, embora discutam detalhes. “Todavia”, observou Boslough, “no contexto de novas e contraditórias observações, a teoria da ‘grande explosão’ começa a parecer cada vez mais uma descrição excessivamente simplista na busca de uma explicação para a criação. Em princípios dos anos 90, a teoria da ‘grande explosão’ tornou-se . . . cada vez mais incapaz de responder às perguntas mais básicas”. Ele acrescentou que “não poucos teóricos emitem a opinião de que não durará nem até o fim dos anos 90”.

Talvez algumas das conjecturas atuais da cosmologia revelem ser corretas, talvez não — assim como talvez realmente existam planetas coalescendo, ou se fundindo, no brilho espectral da nebulosa de Órion, talvez não. O fato inegável é que ninguém na Terra sabe isso ao certo. As teorias são muitas, mas os observadores sinceros endossam a observação arguta de Margaret Geller, de que apesar de todo o palavreado, parece estar faltando algo fundamental no entendimento atual do cosmos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Surgiu por acaso ou foi criado?

MUITOS cientistas não se sentem à vontade com a idéia de que o Universo teve um Criador inteligente. Por isso, eles especulam que, de alguma forma, o Universo simplesmente surgiu sozinho. Mas nenhum deles consegue explicar como isso seria possível.
Na verdade, é como disse a revista Scientific American, de janeiro de 1999: “A teoria do big-bang não descreve o nascimento do Universo.” E acrescentou: “Para explicar a criação original do Universo será preciso outra teoria que descreva até mesmo épocas anteriores.”
No entanto, parece-lhe razoável que o Universo de alguma forma simplesmente criou a si mesmo? O físico Charles H. Townes observou: “É verdade que os físicos esperam olhar além do ‘big-bang’, talvez para explicar a origem do Universo como se fosse, por exemplo, um tipo de flutuação. Sim, mas, isso seria uma flutuação de que, e como isso, por sua vez, começou a existir? Para mim, a questão da origem parece ficar sempre sem resposta, se a examinamos apenas do ponto de vista científico.”
Reconhece-se agora que houve tempo em que o Universo não existia, e que, de alguma maneira, veio a existir. Será que aquilo que já se sabe a respeito das leis do Universo nos ajuda a entender como isso poderia ter acontecido?

As implicações das evidências

O que se pode deduzir do fato de que o Universo teve um começo? Robert Jastrow disse: “Você pode chamar isso de big-bang, ou também, acertadamente, de momento da criação.” Penzias, que participou na descoberta da radiação de fundo no Universo, observou: “A astronomia nos leva a um evento ímpar, a criação de um universo a partir do nada.” E o líder da equipe do Cobe, George Smoot, observou: “O que descobrimos é evidência do nascimento do Universo.”
É razoável concluir que — se houve um início, ou criação, do Universo — houve também um Iniciador ou Criador? Muitos acham que sim. Smoot disse a respeito das descobertas feitas pelo Cobe: “É como estar vendo Deus.”
Naturalmente, mesmo sem as evidências científicas que surgiram em décadas recentes, milhões têm crido na declaração inicial da Bíblia: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” — Gênesis 1:1.
Mas nem todos desejam aceitar essa declaração simples da Bíblia. “Muitos cientistas não gostam da idéia de que o Universo teve um começo, um momento de criação”, observou o físico Stephen Hawking. Eles “não gostaram das implicações extracientíficas da teoria”, escreveu Michael J. Behe, “e esforçaram-se para elaborar alternativas”.
Portanto, pergunta-se: o Universo veio a existir por si mesmo? Surgiu por acaso, ou foi criado por um Criador inteligente? Você achará esclarecedoras as evidências que serão apresentadas a seguir.

Evidências de que houve um começo

Na teoria geral da relatividade, de Albert Einstein, publicada em 1916, era implícito que o Universo está se expandindo, ou, então, se contraindo. Mas essa idéia contrariava frontalmente o conceito então prevalecente de que o Universo é estático, o que Einstein também aceitava naquele tempo. Assim, ele introduziu nos seus cálculos o que chamou de “constante cosmológica”. Esse ajuste foi feito para tentar harmonizar a sua teoria com a crença geral de que o Universo é estático e imutável.
Contudo, as evidências que se acumularam nos anos 20 levaram Einstein a chamar de sua ‘maior asneira’ o ajuste que fizera na teoria da relatividade. A instalação do enorme telescópio de 2,54 metros no monte Wilson, na Califórnia, tornou possível reunir essas evidências. As observações feitas com esse telescópio nos anos 20 provaram que o Universo está se expandindo!
Antes disso, os maiores telescópios podiam identificar apenas estrelas individuais dentro de nossa própria galáxia, a Via-Láctea. É verdade que os observadores haviam notado difusas manchas de luz conhecidas como nebulosas, mas, em geral, pensava-se que fossem espirais de matéria gasosa dentro de nossa galáxia. Com esse telescópio mais poderoso, do monte Wilson, porém, Edwin Hubble identificou estrelas dentro dessas nebulosas. Essas difusas manchas de luz foram por fim identificadas como galáxias semelhantes a nossa Via-Láctea. De fato, estima-se agora que existam de 50 bilhões a 125 bilhões de galáxias, cada qual com centenas de bilhões de estrelas!
Em fins dos anos 20, Hubble descobriu também que essas galáxias estão se afastando de nós e que, quanto mais distantes estiverem, mais velozmente se afastam. Os astrônomos determinam o ritmo do recuo de uma galáxia com um espectrógrafo, que mede o espectro da luz emitida por objetos estelares. A luz vinda de estrelas distantes é direcionada através de um prisma que dispersa a luz em seus vários componentes de cor.
A luz de um objeto que se afasta do observador é avermelhada, sendo chamada de desviada para o vermelho. Por outro lado, a luz de um objeto em aproximação é chamada de desviada para o azul. Significativamente, com exceção de poucas galáxias próximas, todas as galáxias conhecidas têm linhas espectrais desviadas para o vermelho. Disso os cientistas deduzem que o Universo se expande de modo ordeiro. O ritmo dessa expansão é determinado por medir o grau em que as linhas no espectro estão desviadas para o vermelho.
A que conclusão se chegou em vista do fato de que o Universo está se expandindo? Bem, certo cientista convidou as pessoas a considerar o reverso desse processo. Em outras palavras, a ver um filme do Universo em expansão rodado de trás para frente, de modo que o espectador veja o começo da história do Universo. Visto assim, o Universo pareceria estar recuando ou se contraindo, em vez de se expandindo. Dessa forma, o Universo acabaria voltando a um único ponto de origem.
Em seu livro Buracos Negros, Universos-Bebês e Outros Ensaios, publicado em 1993, o renomado físico Stephen Hawking concluiu que “a ciência poderia prever que o universo deve ter tido um início”.
Contudo, alguns anos atrás, muitos não criam que o Universo teve um começo. Fred Hoyle foi um dos cientistas famosos que discordou do conceito de que o Universo veio a existir por meio do que, desdenhosamente, chamou de ‘big-bang’. Entre outras coisas, Hoyle argumentou que, se tivesse havido tal começo dinâmico, deveria existir algum vestígio desse evento preservado em algum lugar no Universo. Deveria existir no espaço algum fóssil de radiação, digamos assim, algum minguante reflexo da explosão. O que revelou a pesquisa em busca dessa radiação de fundo?
O jornal The New York Times (8 de março de 1998) publicou que, por volta de 1965, “os astrônomos Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a onipresente radiação de fundo, o que restou do clarão da explosão primordial”. O artigo acrescentou: “A teoria [do big-bang] parecia estar comprovada.”
No entanto, nos anos seguintes à descoberta de Penzias e Wilson, alguns questionaram: se a teoria do big-bang fosse realmente correta, por que não foram observadas pequenas irregularidades no sinal de radiação? Para a formação de galáxias, o Universo teria tido necessidade de ter áreas mais frias e mais densas, onde a matéria pudesse ter-se aglutinado. Contudo, as experiências realizadas a partir da superfície da Terra por Penzias e Wilson não revelaram a existência dessas irregularidades.
Por conseguinte, em novembro de 1989 foi lançado ao espaço o satélite Cobe (Explorador de Radiação Cósmica de Fundo) pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, dos Estados Unidos. As suas descobertas foram chamadas de monumentais. O professor Block explicou: “As ondulações detectadas pelo Radiômetro Diferencial de Microondas a bordo do Cobe eram as próprias flutuações desencadeadas no nosso cosmos que há bilhões de anos levaram à formação de galáxias.”

Houve realmente um começo?

ATRAVÉS das eras, muitos já se maravilharam com um céu luminoso coberto de estrelas. A imensidão e a espantosa beleza do maravilhoso Universo são extasiantes. A quem, ou a que, atribuir tudo isso? Por que ele existe? Sempre existiu, ou houve um começo?
O professor de astronomia David L. Block escreveu: “Que o Universo nem sempre existiu — que teve um começo — nem sempre foi um conceito geral.” Mas, em décadas recentes, as evidências obrigaram a maioria dos que estudam o Universo a crer que ele realmente teve um começo. “Hoje, praticamente todos os astrofísicos concluem”, disse a revista U.S.News & World Report em 1997, que “o Universo começou com uma big-bang (grande explosão) que impeliu matéria para todos os lados”.
Sobre essa conclusão quase unânime, Robert Jastrow, professor de astronomia e geologia na Universidade de Colúmbia, escreveu: “Poucos astrônomos poderiam ter previsto que esse evento — o nascimento súbito do Universo — se tornaria um fato científico comprovado, mas a observação dos céus por meio de telescópios obrigou-os a chegar a essa conclusão.”
Será que “o nascimento súbito do Universo” é mesmo “um fato científico comprovado”? Vejamos as evidências históricas que levaram à conclusão de que é.

O Princípio não Foi Caótico

Atualmente, os cientistas em geral admitem que o universo teve deveras um princípio. Destacada teoria que tenta descrever este princípio é conhecida como a Grande Explosão (Big Bang). “Quase todas as discussões recentes sobre a origem do universo se baseiam na teoria da Grande Explosão”, observa Francis Crick.12 Jastrow se refere a esta “explosão” cósmica como “literalmente o momento da criação”.13 Mas, como admitiu o astrofísico John Gribbin na revista New Scientist (Novo Cientista), embora os cientistas “afirmem, na maior parte, poder descrever em grandes pormenores” o que aconteceu depois deste “momento”, o que produziu “o instante da criação continua sendo um mistério”. E, cogita ele, “talvez Deus o tenha feito, afinal das contas”.14

No entanto, a maioria dos cientistas não se dispõem a atribuir a Deus tal “instante”. Assim, diz-se geralmente que tal explosão foi caótica, como a explosão duma bomba nuclear. Mas, resulta este tipo de explosão em melhor organização? Produzem as bombas lançadas sobre as cidades durante as guerras quaisquer prédios de requintado projeto, ruas e sinais com leis de trânsito? Pelo contrário, tais explosões provocam destroços, desordem, caos, desintegração. E, quando o artefato explosivo é nuclear, a desorganização é total, conforme sentida pelas cidades nipônicas de Hiroxima e Nagasáqui em 1945.

Não, uma simples “explosão” não poderia criar nosso assombroso universo com sua surpreendente ordem, projeto e lei. Apenas poderoso organizador e legislador poderia dirigir as poderosas forças em operação, de formas que resultassem em primorosa organização e lei. Por conseguinte, a evidência científica e a razão fornecem sólido apoio à declaração da Bíblia: “Os céus declaram a glória de Deus, e a expansão está contando o trabalho das suas mãos.” — Salmo 19:1.

Portanto, a Bíblia encara de frente questões que a teoria evolucionista não abrange claramente. Em vez de nos deixar nas trevas quanto ao que está por trás da origem de todas as coisas, a Bíblia nos dá a resposta em termos simples e compreensíveis. Confirma as observações da ciência, bem como as nossas próprias, de que nada vem a existir por si mesmo. Embora nós, pessoalmente, não estivéssemos presentes quando o universo foi feito, torna-se evidente que tinha de ter um Magistral Construtor, como a Bíblia arrazoa: “Cada casa, naturalmente, é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.” — Hebreus 3:4.

Fonte de Energia

As leis universais governam a matéria existente. Mas, de onde surgiu toda a matéria? Em Cosmos, Carl Sagan afirma: “No início deste universo, não havia galáxias, estrelas ou planetas, vida ou civilizações.” Ele se refere à mudança desse estádio para o atual universo como “a transformação mais aterradora da matéria e da energia que tivemos o privilégio de vislumbrar”.10

Esta é a chave para se entender como o universo poderia ter surgido: Deve ter envolvido uma transformação de energia e de matéria. Esta relação foi comprovada pela famosa equação de Einstein, E=mc2 (a energia é igual à massa vezes o quadrado da velocidade da luz). Uma conclusão derivada desta equação é que a matéria pode ser produzida da energia, assim como tremenda energia pode ser produzida da matéria. A bomba atômica comprovou esta última asserção. Deste modo, o astrofísico Josip Kleczek declarou: “A maioria, e possivelmente todas as partículas elementares, podem ter sido criadas pela materialização de energia.”11

Assim, existe evidência científica de que uma fonte de energia ilimitada disporia da matéria-prima para criar a substância do universo. O escritor bíblico já citado observou que esta fonte de energia é uma personalidade viva e inteligente, afirmando: “Devido à abundância de energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer uma delas [i.e., os corpos celestes].” Destarte, do ponto de vista bíblico, esta fonte de energia infindável estava por trás do que Gênesis 1:1 descreve: “No princípio Deus criou os céus e a terra.”

O Organizador e Legislador

Após comentar todas as condições especiais de ordem e de lei tão evidentes no universo, a revista Science News (Notícias de Ciência) observou: “Contemplar tais coisas perturba os cosmologistas, porque parece que tais condições determinadas e precisas dificilmente poderiam ter surgido por acaso. Um modo de lidar com tal questão é afirmar que tudo foi imaginado, e atribuí-lo à Divina Providência.”9

Muitos, inclusive muitos cientistas, não estão dispostos a admitir isso. Mas outros se dispõem a reconhecer aquilo que a evidência persiste em insistir — a inteligência. Reconhecem que tal colossal dimensão, a precisão e a lei que permeiam o universo jamais poderiam ser fruto do acaso. Todas estas coisas têm de ser produtos duma mente superior.

Esta é a conclusão expressa por um escritor bíblico, que disse a respeito dos céus literais: “Levantai ao alto os vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que faz sair o exército delas até mesmo por número, chamando a todas elas [até mesmo] por nome.” Identifica-se o “Aquele” como sendo “o Criador dos céus e o Grandioso que os estendeu”. — Isaías 40:26; 42:5.

Havendo Leis, Tem de Haver um Legislador

Também, o inteiro universo, dos átomos às galáxias, é governado por leis físicas definidas. Há leis que governam o calor, a luz, o som e a gravidade, por exemplo. Como o físico Stephen W. Hawking disse: “Quanto mais examinamos o universo, tanto mais verificamos que não é de jeito nenhum arbitrário, mas obedece a certas leis bem-definidas que regulam diferentes áreas. Parece muito razoável supor que existam alguns princípios unificadores, de modo que todas as leis sejam parte de alguma lei maior.”7

Wernher von Braun, especialista em foguetes, foi um passo adiante quando declarou: “As leis naturais do universo são tão precisas que não temos nenhuma dificuldade em construir naves espaciais para voar até a lua, e podemos cronometrar o vôo com a precisão duma fração de segundo. Estas leis devem ter sido estabelecidas por alguém.”8 Cientistas que desejam que um foguete orbite a Terra, ou a lua, precisam trabalhar em harmonia com tais leis universais, se hão de ser bem-sucedidos.

Quando pensamos em leis, reconhecemos que elas provêm duma entidade legisladora. Um sinal de trânsito que diga “PARE” certamente tem por trás alguma pessoa ou grupo que deu origem a tal lei. Que dizer, então, das leis abrangentes que governam o universo material? Estas leis, de brilhante concepção, por certo dão testemunho de um legislador supremamente inteligente.

Que Há por Trás Desta Organização?

Conforme observamos, a dimensão do universo é verdadeiramente assombrosa. Também o é a sua maravilhosa disposição. Desde o infinitamente grande até o infinitesimalmente pequeno, dos aglomerados galácticos aos átomos, o universo se caracteriza por primorosa organização. Declarou a revista Discover (Descobrir): “Percebemos com surpresa a ordem, e nossos cosmologistas e físicos persistem em encontrar novos e estonteantes aspectos dessa ordem. . . . Costumávamos dizer que era um milagre, e ainda nos permitimos referir-nos ao inteiro universo como uma maravilha.”4 Esta estrutura ordeira é reconhecida até na palavra comumente empregada em astronomia para descrever o universo — “cosmo”. Certo dicionário a define como “o universo considerado no seu conjunto organizado e harmônico”.5

O ex-astronauta John Glenn observou “a ordem de todo o universo ao redor de nós”, e que as galáxias estavam “percorrendo todas órbitas prescritas em relação umas às outras”. Assim sendo, indagou: “Poderia isto ter simplesmente acontecido? Foi por acidente que um punhado de destroços e de cargas alijadas subitamente começou a percorrer tais órbitas por sua livre vontade?” Concluiu ele: “Não posso crer nisso. . . . Algum Poder colocou tudo isto em órbita e o mantém ali.”6

Deveras, o universo acha-se tão precisamente organizado que o homem pode utilizar os corpos celestes como base para cronometrar o tempo. Mas, qualquer relógio de bom design (projeto) obviamente é produto de uma mente ordeira que tem a capacidade de design. E só uma pessoa inteligente pode possuir uma mente ordeira capaz de criar designs. Então, que dizer do design muito mais complexo, e da fidedignidade que permeia o universo? Não exigiria isto também um especialista em design, um projetista, uma mente — inteligência? E tem qualquer razão para crer que a inteligência possa existir à parte duma personalidade?

Não podemos negá-lo: Primorosa organização exige um primoroso organizador. Nada em nossa experiência indica que algo organizado aconteça por acaso, acidentalmente. Antes, toda a nossa experiência na vida mostra que tudo que é organizado precisa de um organizador. Toda a máquina, computador, prédio, sim, até um lápis e papel, tiveram um fabricante, um organizador. Lógico é que a organização muito mais complexa e assombrosa do universo também tem de ter um organizador.

Organização Similar

Chegando ao nosso sistema solar, verificamos outro arranjo dotado de excepcional organização. O sol, que é uma estrela de grandeza média, é o “núcleo” em torno do qual gravitam em órbitas precisas a Terra e outros planetas, com suas luas. Ano após ano, giram com tamanha precisão matemática que os astrônomos podem predizer exatamente onde estarão em qualquer tempo futuro.

Examinando as coisas infinitesimais — os átomos — vemos que existe a mesma precisão. Um átomo é uma maravilha de ordem, assemelhando-se à ordem do sistema solar. Inclui um núcleo que contém partículas chamadas prótons e nêutrons, cercadas por diminutos elétrons orbitantes. Toda matéria é constituída destes blocos de construção. O que faz com que uma substância difira da outra é o número de prótons e de nêutrons no núcleo, e o número e a disposição dos elétrons em sua órbita. Isto significa excelente ordem, visto que todos os elementos que constituem a matéria podem ser dispostos em exata seqüência segundo o número daqueles blocos de construção que contenham.

Aglomerados de Galáxias

Aglomerados de Galáxias

Todavia, há algo mais. Essas assombrosas galáxias não estão espalhadas a esmo pelo espaço. Antes, estão comumente distribuídas em grupos definidos, chamados aglomerados, como uvas num cacho. Milhares de tais aglomerados galácticos já foram observados e fotografados.

Alguns aglomerados contêm relativamente poucas galáxias. Nossa galáxia, a Via-láctea, por exemplo, faz parte dum aglomerado de cerca de vinte galáxias. No âmbito deste grupo, existe uma galáxia “vizinha”, que pode ser vista sem telescópio, numa noite límpida. Trata-se da galáxia (nebulosa) de Andrômeda, que tem formato espiral, como a nossa.

Outros aglomerados galácticos são compostos de muitas dezenas, talvez centenas ou até milhares, de galáxias. Um de tais aglomerados, segundo se julga, contém cerca de 10.000 galáxias! A distância entre as galáxias no âmbito dum aglomerado, pode ser, em média, de cerca de um milhão de anos-luz. Entretanto, a distância de um aglomerado galáctico para outro pode ser cem vezes maior. E existe até evidência de que os próprios aglomerados estão dispostos em “superaglomerados”, como cachos de uva numa parreira. Que tamanho colossal e que primorosa organização!

Assombrosa Dimensão

Nos séculos recentes, os astrônomos que perscrutavam os céus com os primeiros telescópios observaram algumas formações nebulosas, semelhantes a nuvens. Presumiam tratar-se de nuvens próximas de gases. Mas, na década de 20, à medida que vieram a ser utilizados telescópios maiores, e mais potentes, estes “gases” provaram ser algo muito mais imenso e significativo: galáxias.

Uma galáxia é um amplo grupo de estrelas, de gás e de outra matéria que gira em torno dum núcleo central. As galáxias têm sido chamadas de universos-ilhas, pois cada uma delas é como um universo em si. Por exemplo, considere a galáxia em que vivemos, chamada de Via-láctea. Nosso sistema solar, isto é, o sol, a Terra e outros planetas, com suas luas, faz parte desta galáxia. Mas, trata-se de uma parte bem diminuta, pois nossa galáxia, a Via-láctea, contém mais de 100 bilhões de estrelas! Há cientistas que calculam pelo menos 200 a 400 bilhões. E certo editor de assuntos científicos chegou a declarar: “Poderia haver até de cinco a dez trilhões de estrelas na galáxia da Via-láctea.”2

O diâmetro de nossa galáxia abrange tão ampla distância que, se conseguisse mover-se tão rápido quanto a velocidade da luz (300.000 quilômetros por segundo), seriam necessários 100.000 anos para atravessá-la! Quantos quilômetros significa isto? Bem, visto que a luz percorre cerca de 9,5 trilhões (9.500.000.000.000) de quilômetros por ano, multiplique isso por 100.000 e obterá a resposta: nossa galáxia, a Via-láctea, tem cerca de 950 quadrilhões (950.000.000.000.000.000) de quilômetros de diâmetro! Diz-se que a distância média entre as estrelas no âmbito da galáxia é de cerca de seis anos-luz, ou cerca de 58 trilhões de quilômetros.

É quase impossível para a mente humana dimensionar tal amplitude e distância. Todavia, nossa galáxia é apenas o início do que existe no espaço sideral! Existe algo ainda mais estonteante. É o seguinte: Atualmente já foram detectadas tantas galáxias que se tem dito que “são tão comuns como as lâminas de grama numa campina”.3 Há no universo observável cerca de dez bilhões de galáxias! Há, porém, muitas outras além do alcance dos atuais telescópios. Alguns astrônomos calculam que haja 100 bilhões de galáxias no universo! E cada galáxia pode conter centenas de bilhões de estrelas!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Plano de sobrevivência alienígena

No seu livro Aliens Among Us (Alienígenas Entre Nós), Ruth Montgomery entrevista alguns de um crescente grupo de pessoas que estão convencidos de que são visitantes extraterrestres que residem em corpos humanos. Alguns desses que afirmam ser extraterrestres em corpos humanos predizem que no ano 2000 haverá um “evento cósmico para o qual hierarquias de anjos e de governantes vêm-se preparando”. Alguns acreditam que extraterrestres estão usando OVNIs para coletar espécimes de flora ou de fauna, ou então que os OVNIs serão usados como naves de resgate para salvar milhões de humanos da desolação da Terra a sobrevir em breve. Após a grande destruição, os humanos serão trazidos de volta à Terra para iniciar “a Nova Era e a Nova Ordem” de conscientização espiritual. Certo rapaz do Colorado, EUA, membro de um grupo que se denomina “Jovens Alienígenas”, disse à Despertai!, com toda a seriedade: “Eu e meus amigos estamos esperando que os nossos ancestrais alienígenas venham para nos teletransportar.”

Alguns dos que afirmam ser extraterrestres dizem ser conduzidos por Deus, e outros afirmam que falam livremente com ele para pedir conselhos a fim de ajudar os humanos. Será que Deus está usando visitantes de outros planetas para salvar a humanidade de uma vindoura catástrofe mundial?

OVNIs: mensageiros de Deus?

COM a aproximação do fim do século 20 e a constante deterioração da situação mundial, aumenta a crença nos objetos voadores não-identificados (OVNIs) e seus passageiros, os seres extraterrestres. Será que os OVNIs são apenas ficção, uma tapeação, uma fraude perpetrada por pessoas que gostam de rir às custas da credulidade do público?

Os que afirmam ter visto OVNIs ou seus passageiros extraterrestres incluem pessoas aparentemente normais, dignas de confiança; tanto é que, entre os que acreditam nesses visitantes de outros planetas, acham-se pessoas bem instruídas, como professores universitários e cientistas. Elas estão convencidas de que os extraterrestres observam os homens e, às vezes, se comunicam com eles. Existem até mesmo grupos de apoio aos que afirmam ter feito contato com visitantes do espaço.

Especulação

Era abundante a especulação quanto à origem dos misteriosos “discos voadores”. Estavam os Estados Unidos testando secretamente um novo tipo de veículo, movido a energia atômica ou magnética, ou até mesmo gravitacional? Ou talvez alguma potência estrangeira dominara tal força motiva e exibia sua nova proeza nos céus dos EUA. A teoria mais amplamente difundida, porém, era de que chegaram visitantes do espaço sideral para inspecionar a terra e estudar seus habitantes. Não resta dúvida de que tal idéia foi o que dotou os “discos voadores” de seu maior fascínio. O fato de que o homem se estava preparando para aventurar-se além de seu lar terrestre para explorar outros mundos lhe fornecia motivo para imaginar se criaturas inteligentes de outras partes haviam feito isso antes dele. Por outro lado, a idéia perturbava os que acreditam que o homem é ímpar no universo como uma criação inteligente e carnal de Deus.

Algumas pessoas afirmavam que os discos voadores haviam deveras aterrissado em lugares afastados, e indicavam a vegetação pisoteada ou a terra queimada no local de aterrissagem como prova. Afirmava-se que encontros íntimos com os veículos interplanetários haviam apagado faróis, e parado relógios e até mesmo motores de automóveis, deixando magnético o metal e radioativas as cercanias. Alguns testificaram que haviam subido a bordo dos “discos”, um no deserto da Califórnia, outro numa fazenda no Brasil, e encontraram os viajantes venusianos. Embora seu testemunho não fosse corroborado, havia os crédulos, os prontos a crer. Introduziu-se um aspecto religioso com o surgimento de novo culto centralizado nos super-homens divinos de Vênus.

A maioria dos cientistas tendiam a não levar a sério a excitação. Os astrônomos, em especial, não se deixaram impressionar. Indicaram que era seu dever observar os céus, mas não tinham visto nenhum “disco voador”. Ademais, perguntavam, de onde viriam? De Marte? De Vênus? Daquilo que já sabemos sobre estes planetas, seria bem impossível de qualquer criatura do tipo humano viver ali, visto que não há nenhum ar nem qualquer água. E as sondagens interplanetárias, testando a atmosfera de Vênus e tirando fotografias de perto de Marte, reforçavam esta opinião. Verificou-se que Vênus era suficientemente quente para derreter o zinco, Marte era frio e mortífero como a lua. Poucos cientistas consideravam o assunto dos OVNI como de suficiente interesse para devotarem qualquer tempo de pesquisa a eles, ou até mesmo falarem sobre isso em público. Raramente era mencionado em seus periódicos. Certo astrônomo deu-se ao trabalho de escrever um livro mostrando como as miragens podiam produzir efeitos semelhantes aos “discos” bamboleantes vistos em Mt. Rainier, ou as luzes em Lubbock.

Parecia provável que a maioria dos “discos voadores” vistos eram simplesmente concepções errôneas de coisas comuns como estrelas, meteoros, aviões, balões, e miragens, não se excluindo as falsificações e alucinações. Mas, restava a pergunta perturbadora: Podiam todas as vistas estranhas noticiadas ser atribuídas a tais causas prosaicas? Ou haveria, talvez, alguns genuínos “discos voadores”, que realmente estivessem além da capacidade de explicação dos cientistas?