quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Que Está Sendo Feito?

Se viajar a Arecibo, nas montanhas de Porto Rico, encontrará em operação um gigantesco telescópio. Não, não se trata dum telescópio com lentes de vidro ou espelhos, nem com uma ocular através da qual pudesse mirar. Trata-se basicamente duma enorme concha de alumínio de 305 metros de diâmetro, abrangendo uma área de captação de 8 hectares. Não é um telescópio óptico mas, sim, um radiotelescópio. É um tipo de antena especial, projetada para captar ruídos naturais de rádio das profundezas do espaço. Mas pode também captar transmissões de rádio de civilizações adiantadas de qualquer parte do universo, caso existam.

Embora o telescópio dos Estados Unidos em Arecibo seja excepcionalmente grande, pesando 625 toneladas, não é de modo algum o único de tal tipo de instrumento. A União Soviética, a Grã-Bretanha e outras nações estão também à escuta do espaço sideral com instrumentos desse tipo. Estão sintonizando o universo, procurando mensagens inteligentes, da mesma maneira como você sintoniza um rádio portátil e posiciona a antena à procura de sua emissora de notícias favorita. A esperança é de que não apenas existam seres inteligentes em outros planetas, mas que estejam enviando mensagens que podemos captar.

Custou 17 milhões de dólares (1,36 bilhão de cruzeiros) para construir o radiotelescópio em Arecibo e custa mais de 4 milhões de dólares (320 milhões de cruzeiros) por ano para operá-lo. Se puder imaginar o custo total de tais esforços em todos os países poderá compreender que a busca de vida no espaço é um assunto sério.

Mas, comparados ao que custariam os CICLOPES, tais custos se reduzem a meros centavos. Proposto por cientistas dos Estados Unidos, o CICLOPE seria uma série concentrada de cerca de 1.500 antenas, cada uma com 100 metros de diâmetro, que poderiam ser sintonizadas em uníssono por um computador. Calcula-se que este projeto, cobrindo uma área de 65 km2, custaria mais de 20 bilhões de dólares (1,6 trilhão de cruzeiros) para ser construído e 100 milhões de dólares (8 bilhões de cruzeiros) por ano para operá-lo.

O entusiasmo de contatar vida no espaço sideral não está restrito à escuta. Os cientistas estão também dizendo poderosamente: ‘Alô, vocês aí, estão nos ouvindo?’. Estão enviando mensagens ao espaço sideral.

Desde que dispomos do rádio e da televisão, algumas transmissões eletromagnéticas filtraram-se espaço a dentro. Essas transmissões, porém, foram projetadas para alcançar outros pontos na superfície da terra, não as profundezas do espaço. Assim, acredita-se que caso realmente existam seres inteligentes em outros planetas ou em galáxias distantes, eles provavelmente não poderiam interceptar e decifrar as nossas difusões de rádio e de televisão, relativamente fracas. E considerando o conteúdo de muitos de tais programas, dificilmente isso seria uma grande perda.

De qualquer modo, tem havido recentemente sérios esforços para transmitir poderosas mensagens diretamente ao espaço. Sabemos que isso é possível, pois tem havido comunicações de rádio e de televisão com naves espaciais na lua e com aparelhos de sondagem enviados a Vênus e a Marte. Um esforço excepcional de comunicação ocorreu em 18 de novembro de 1974. O radiotelescópio em Arecibo foi transformado num colossal transmissor de radar, dirigindo uma mensagem a Messier 13, um aglomerado de estrelas perto da extremidade da Via Láctea, distante uns 24.000 anos-luz da terra. A mensagem foi feita num código único que os cientistas acham poderia ser decifrado por qualquer civilização tecnicamente avançada o suficiente para interceptá-la.

As mensagens enviadas ao espaço sideral, contudo, não são todas assim tão complexas. O Pioneer 10, um veículo espacial enviado a Júpiter e daí para além do nosso sistema solar, tinha uma placa especial afixada nele para informação a qualquer ser extraterrestre que a encontrasse. A placa estampava um homem e uma mulher, bem como um diagrama do sistema solar e a terra qual origem da sonda espacial.

Outra tentativa foi um disco de cobre com “sons da terra”, de duas horas de duração, afixado a uma nave espacial Voyager em sua viagem através do sistema solar. O disco continha saudações em 50 idiomas, bem como a “linguagem” das baleias e ruídos tais como da chuva, de carros e de vulcões. Até mesmo incluía uma coletânea de jazz, rock ‘n’ roll e música clássica.

Sem esperar até que se comunicassem com vida inteligente além da terra, por rádio, outros cientistas concentraram-se no passo mais fundamental de tentar provar que existe alguma de tal vida.

Talvez lembre-se da excitação havida quando “rochas lunares” foram trazidas à terra. A pergunta era: “Será que forneceriam alguma evidência de matéria viva ou de vida anterior? Infelizmente, não o fizeram. Daí, a atenção centralizou-se nos planetas, especialmente em Marte.

Embora os cientistas sérios há muito descartaram a possibilidade de achar ‘homens em Marte’, eles quiseram procurar formas de vida até mesmo microscópicas. Os veículos Viking I e Viking II, que alcançaram a superfície de Marte em 1976, portavam laboratórios especiais para analisar o solo marciano. Braços mecânicos foram acionados, coletaram algum solo e o trouxeram para dentro dos laboratórios. Ali foi submetido a longos e complicados testes com instrumentos de detectar vida. Este foi um grande passo na busca de vida no espaço sideral.

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